Boxe

Pugilismo carioca aposta em treinador cubano renomado para ressurgir das cinzas

Isidoro Nícolas, ex-treinador da seleção de Cuba e formador de campeões como Felix Savón, inicia trabalho de reestruturação apoiado pela FBERJ e Academia Delfim
10/10/2014 07:38 - Atualizado em 10/10/2014 08:02
Por Francisco Junior
RIO

O renascer da Federação de Boxe do Estado do Rio de Janeiro (FBERJ) vai cravando os seus pilares com a ajuda da escola cubana, a mais vitoriosa da modalidade no mundo. Após assumir a presidência da FBERJ há cerca de um ano, Cesário Figueiredo usa as dependências da Academia Delfim (especializada no estilo de pugilismo desenvolvido no país da América Central), que fica no bairro da Tijuca, na Zona Norte da cidade, como sede da entidade. Após realizar algumas ações para melhorar a imagem do pugilismo carioca, o mandatário e os responsáveis pela Delfim conseguiram encontrar o diferencial para fazer o boxe carioca engrenar de vez.

Isidoro Nícolas Alice, eleito por duas vezes o melhor técnico de boxe na ilha caribenha e formador de campeões como Felix Savón (tricampeão olímpico e hexa mundial) e Hector Vinent (bi olímpico e tri mundial) entre outros, iniciou um trabalho no Rio de Janeiro, no último sábado. Convencido pelo empresário do mundo das lutas e seu amigo Gabriel Ribeiro a vir para o Brasil, ele vai passar sua experiência para atletas e professores da modalidade.

- Quando é realizado um trabalho na base, fica mais fácil ajustar os atletas no futuro. Dá um trabalho grande corrigir erros de formação. O trabalho de base precisa ser feito no tempo certo para depois lapidar os melhores de acordo com o que eles necessitam para evoluir. E é isso que eu quero fazer. Um atleta precisa de, no mínimo, dez anos para ser formado e trabalhado até poder se tornar um campeão olímpico ou mundial. Em Cuba é feito assim. Não há mistério. O que existe é muito trabalho. Félix Savon é um grande exemplo disso - contou o ex-comandante da equipe olímpica de Cuba, que vai ministrar o curso de formação de novos treinadores da FBERJ nos dois últimos finais de semana deste mês.

Veja mais: Esquiva Falcão vence americano no 2º round e segue invicto no profissional

Após cerca de dez meses no país, ele considera a adaptação aos costumes brasileiros como fácil. Ao apontar a culinária do Brasil como bastante parecida com a de sua terra natal (baseada no arroz e feijão), ele pediu apenas para nunca colocarem farofa em seu prato. Isidoro, de 52 anos, não tenta esconder a receita de sucesso cubana. Ele diz que o governo precisa trabalhar com crianças, de oito a dez anos, que estão “perdidas” nas ruas e nas favelas do país.

O cubano Isidoro Nícolas e o presidente da FBERJ, Cesário Figueiredo, tem planos ousados para fazer o boxe carioca engrenar de vez - Divulgação/FBERJ- Em Cuba, os atletas tem todo o suporte do governo. Encontramos crianças em áreas carentes e fazemos um treinamento com elas. Esse é o segredo. Trabalhar com crianças de oito a dez anos. Aquelas que estão nas ruas, nas favelas, em cidades do interior. Essas, caso sejam trabalhadas da forma correta, são capazes de dar fruto rapidamente - disse o cubano.

Presidente afirma: ‘Floyd Mayweather é peça fundamental para o boxe atual’

O presidente Cesário fala em ver o boxe carioca e brasileiro viver tempos de glórias. No entanto, logo depois, ele lembra que, apesar das conquistas significativas nos Jogos Olímpicos de Londres (três medalhas - uma prata e dois bronzes), o interesse pela modalidade pouco cresceu em todo o país. Segundo o mandatário, não houve empenho por parte da iniciativa privada ou do próprio governo em divulgar os “heróis” e, consequentemente, o pugilismo no país.

- Eles (Esquiva e Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo) seriam importantes para os jovens tomarem gosto pelo boxe e terem vontade de seguir no esporte. Precisamos disso no Brasil, de atletas que chamem novos praticantes. O Floyd (Mayweather) é peço fundamental para o boxe atual. Ele faz o tipo ostentação. Normalmente, eu não gosto disso no esporte. Mas o jeito dele é diferente. E isso faz os jovens sonharem com um futuro parecido com o dele. Esse fascínio pelo Floyd acontece no Brasil e no mundo e isso acaba se tornando um incentivo para o boxe manter o prestígio - apontou Cesário Figueiredo.

Veja mais: No estilo 'funk ostentação', Floyd Mayweather exibe bolo de dinheiro

O atual mandatário encara sua gestão a frente da FBERJ como um “desafio gostoso”, como ele mesmo definiu. Cria do projeto social “Meninos do Boxe”, da Nobre Arte, que funciona na comunidade do Cantagalo, na Zona Sul da cidade, Cesário Figueiredo esperava muito mais do boxe. Como muitos, ele treinava para ser um campeão mundial. Mas, sem boas oportunidades para mostrar seu talento, a idade se transformou em seu pior adversário.

- Sempre tive o sonho de ser um campeão mundial. Mas, quando surgiu a oportunidade de lutar fora do Brasil, me acharam velho (tinha 25 anos na época) e acabei frustrado. Então, fui dar aula para me manter no boxe.

O presidente Cesário e o treinador Isidoro se juntam aos participantes do evento na Academia Delfim - Divulgação/FBERJ

Com a certeza de que está fazendo sua parte para o boxe encontrar um caminho e ressurgir das cinzas, Cesário revela que a situação financeira da entidade ainda é muito complicada. O ex-atleta, que foi ganhando jeito de administrador e sucedeu Mauricio Cristino na presidência da federação após 23 anos, tem trabalhado com inteligência para fazer o boxe carioca crescer.

Serviço:
Curso de treinadores de boxe (módulo I)
A Federação de Boxe do Estado do Rio de Janeiro (FBERJ) realiza nos dias 18, 19, 25 e 26 de outubro o curso de treinadores de boxe (com carga horária total de 40h) em parceria com o Conselho Regional de Educação Física (CREF) e a Escola de Boxe Delfim. A metodologia de ensino é baseada na tradicional escola cubana. O curso é voltado para atletas, ex-atletas, estudantes e profissionais de educação física, que tenham o interesse de trabalhar com o boxe.

O valor do curso é de R$ 750 e pode ser pago em até 3x no cheque ou cartão de crédito. Federados à FBERJ e profissionais de educação física com registro no CREF terão 20% de desconto. As inscrições podem ser feitas através do email: federação@boxe-rio.com.br ou cesario@boxe-rio.com.br. As vagas serão limitadas.

A Escola de Boxe Delfim fica localizada na Rua Pereira de Siqueira, 45, na Tijuca (próxima à estação de metrô São Francisco Xavier).

Veja mais:
Ex-esportistas olímpicos têm desempenho ruim nas urnas e apenas um acaba eleito 

Mike Tyson presta socorro a motociclista e boa ação vira notícia nos Estados Unidos


compartilhar no