Golfe

'Nômade e surfista', brasileira corre atrás de pontos para participar das Olimpíadas

Victoria Alimonda vai disputar em 2014 o segundo tour mais importante do circuito
30/01/2014 07:30 - Atualizado em 30/01/2014 07:38
Por Francisco Junior
RIO

Com o golfe correndo em suas veias através do DNA herdado de seu bisavô, Victoria Alimonda Lovelady, de 27 anos, é a golfista com maiores chances de representar o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que marcam o retorno da modalidade ao programa do evento após ser disputada em 1900 e 1904.

Única representante do país no Circuito Mundial, ela precisa somar pontos no ranking mundial para assegurar uma vaga. Há uma expectativa de que a Confederação Brasileira de Golfe (CBG) consiga dois convites (um para o masculino e um para o feminino) junto à Federação Internacional de Golfe (IGF, na sigla em inglês), mas a entidade ainda não confirma esta possibilidade.

- Quero garantir a minha vaga pelo Rolex World ranking (ranking mundial feminino) onde os tops de 60 países terão representantes. Agora que eu vou jogar o Ladies European Tour (LET), vou ter muito mais chances para acumular pontos por causa da grande quantidade distribuída pelo segundo melhor tour do mundo - disse.

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Victoria nasceu na capital de São Paulo e aos seis anos foi morar no Rio de Janeiro. Aos 12, se apaixonou pelo golfe. Ela já havia praticado natação, handebol e até futebol com os meninos da escola. Quatro anos depois da primeira tacada de sua vida - no São Fernando Golf Club, em Cotia, São Paulo, quando sua família ficou sócia do local - Victoria deixava o país para morar na Califórnia (EUA) e, definitivamente, colocar sua vida à disposição do golfe.

- Fiquei na Califórnia por sete anos. Foi lá que me formei (na University of Southern Califórnia) e me casei. Depois disso, fomos morar na Colômbia, onde meu marido foi trabalhar e onde mora meu treinador (Pedro Russi). Sempre tive uma vida bem nômade - brincou a atleta, que adora surfar nas horas vagas:

- Amo pegar onda. É um esporte onde não corro riscos de me lesionar. Não sou muito boa, mas me divirto bastante.

Com poucas concorrentes em seu caminho, Victoria não precisa temer um A saudade do Brasil, dos familiares e dos amigos era tão grande que Victoria decidiu realizar sua última pré-temporada em sua cidade natal e arrastou seu marido, Jacob Lovelady, para o Brasil. Ela segue treinando nos campos do São Fernando e do São Paulo Golfe Clube e vai estrear no LET em março, na Lalla Meryem Cup, em Agadir, no Marrocos. O tour começa em 31 de janeiro, na Nova Zelândia, com premiação de 200 mil euros (R$ 620 mil). Até dezembro, ainda passa por Austrália, China e África do Sul.

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A golfista explicou que, depois do LPGA (Ladies Professional Golf Association), o LET é o tour que distribui mais pontos e as melhores bolsas (algumas premiações superam o valor de dois milhões de euros - mais de R$ 6 milhões). Em sua visão, a exposição em mídia vai ajudar na busca por patrocinadores. Recentemente, ela fechou parceria com a Nespresso, empresa incentivadora da modalidade no Brasil, e terá a oportunidade de participar da maioria dos 22 torneios que serão realizados em 17 países.

Com a confiança em alta e garantindo estar preparada tecnicamente e psicologicamente, Victoria sente em seu peito uma enorme empolgação, que não se confunde com ansiedade. Ela sabe que são apenas três brasileiras postulantes a vaga para os Jogos de 2016 (Maria Priscila Lida e Angela Park são as outras), mas não demonstra preocupação.

- Olimpíadas, aí vamos nós - finalizou.

Confira o comunicado da CBG a respeito da questão dos convites para as Olimpíadas:

Com relação ao assunto, a Confederação Brasileira de Golfe esclareceu que está trabalhando junto a entidades internacionais para pleitear convites para os Jogos Olímpicos de 2016 em cada categoria, na posição de país anfitrião, sendo que até o presente momento, não há confirmação de vagas.

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