Boxe

Presidente da CBBoxe, Mauro José da Silva, mantém cerco fechado à medalhista olímpica

Adriana Araújo sonhava com cinturão de campeã brasileira para voltar a representar o país; dirigente garante que integrantes da seleção são apontados por série de fatores
24/06/2013 08:00 - Atualizado em 24/06/2013 08:17
Por Francisco Junior
RIO

Em rota de colisão com a Confederação Brasileira de Boxe (CBBoxe), a medalhista olímpica Adriana Araújo acreditava que voltar à seleção brasileira dependia “apenas” da conquista do título brasileiro. No entanto, o presidente da entidade, Mauro José da Silva, em entrevista ao ahe!, afirmou que o cinturão de melhor pugilista do país não garante vaga na equipe verde e amarela.

- Não necessariamente aquele que vencer (o Brasileiro) será indicado para representar o país em competições internacionais. Representantes da CBBoxe estão sempre presentes nos eventos e fazem os relatórios, que servem de base para indicar os boxeadores para a seleção - disse Mauro José, frustrando as expectativas de Adriana Araújo. Ao ahe!, a atleta acreditava que o dirigente teria que "baixar a guarda" caso ela conquistasse o título nacional.

Em abril, Adriana Araújo foi cortada da seleção juntamente com Roseli Feitosa (campeã mundial em 2010) e Érika Mattos, todas representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres. De acordo com a CBBoxe, Adriana teria se apresentado, após as férias, 14 quilos acima do peso de sua categoria (60kg). Questionado sobre uma possível volta da atleta à seleção brasileira, Mauro José da Silva foi evasivo:

- Já falamos tudo sobre essa questão (Adriana Araújo). Já demos todas as explicações. Então, já cumprimos nossa parte.

Veja mais: 'O presidente terá que baixar a guarda e esquecer questões pessoais'

Desde que foi cortada, Adriana Araújo segue treinando na Bahia com Luis Carlos Dória, famoso também por comandar nomes consagrados do mundo do MMA. Ela, Erika e Roseli garantem que a atitude de Mauro José é uma retaliação por causa das críticas feitas por elas após as Olimpíadas.

Neste ano, a seleção de boxe do Brasil saiu do país em três oportunidades. Na última, na disputa do Campeonato Continental, na Venezuela, as meninas voltaram com três medalhas, mas nenhum ouro. 

Adriana Araújo é a única boxeadora brasileira medalhista olímpica - Jack Guez/AFP

Pressão de patrocinadores por resultado pode beneficiar excluídas, diz Adriana Araújo

Para Adriana Araújo, ministério e patrocinadores vão cobrar melhores resultados visando um bom desempenho nos Jogos de 2016, que acontece no Brasil. Diante disso, ela acredita que o presidente da CBBoxe terá que optar por recolocar na seleção as melhores lutadoras do Brasil.

- O boxe brasileiro precisa de resultado. Há um bom investimento na modalidade, e a CBBoxe terá que mostrar que está gerando frutos com esse investimento. O boxe feminino foi disputar o Continental e, após quase dez anos, ficamos sem nenhuma medalha de ouro - disse Adriana.

A princípio, no entanto, Mauro José não parece preocupado com resultados. O dirigente lembrou que esse período de transição é normal em qualquer setor, ainda mais no esporte.

- Há um período de mais dificuldades. Apesar disso, nossas novas lutadoras já estão obtendo bons resultados (final de duas categorias na Copa Continental) - ponderou.

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