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Flamengo decide encerrar atividades profissionais no judô e na ginástica

Vice de esportes olímpicos, Alexandre Póvoa, anuncia que estas modalidades não terão mais equipes adultas; categorias de base estão mantidas
05/03/2013 11:52 - Atualizado em 05/03/2013 13:38
Por Thiago Mendes
RIO

A profunda crise financeira pela qual passa o Flamengo, clube de maior torcida em todo o Brasil, acabou respingando nos esportes olímpicos. Após uma longa reunião com membros do Conselho Gestor, na noite desta segunda-feira, na sede do Rubro-negro, na Gávea, ficou decidido que as atividades de modalidades como judô, ginástica, além da natação, que já estava na berlinda, serão encerradas. Além do futebol, apenas basquete, polo aquático e remo - esporte que deu origem ao clube - resistiram ao "facão" da diretoria.

Vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, Alexandre Póvoa contou que, somente quando a nova gestão assumiu o clube, no início desta temporada, foi notado que o tamanho dos problemas era muito maior do que o imaginado durante a campanha.

- Queremos fazer com que o clube volte a ser respeitado, queremos ter a credibilidade que o Flamengo merece. Algumas atitudes foram tomadas e nós estipulamos um prazo de dois meses para diagnosticar o problema, com uma auditoria. Mas, no caso dos esportes olímpicos, não dá para adiar qualquer decisão. Até mesmo porque os atletas precisam viver - disse Alexandre Póvoa.

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A nova diretoria do Flamengo segue priorizando o pagamento dos salários em dia, além do pagamento de impostos. Póvoa lembrou que o Rubro-negro tinha um déficit de R$ 14,5 milhões. Com os pagamentos já realizados, o rombo caiu para R$ 7 milhões.

- O Flamengo deve três meses de salários a atletas dessas três modalidades (natação, judô e ginástica). E, em até 18 meses, vamos quitar os salários mais altos. Os mais baixos, vamos quitar em dois ou três meses. Queremos acabar com essa fama de “caloteiro” que o clube tem - afirmou o vice-presidente de esportes olímpicos, que criticou o ciclo vicioso de antecipar receitas para cobrir despesas imediatas.

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Segundo Póvoa, houve conversas com a prefeitura, com o governador e com o COB para tentar explicar a situação.

- Na prefeitura, houve uma discussão mais voltada para o futebol. Com o governo, nós conseguimos o patrocínio da Loterj para o basquete. E, no COB, eles nos ofereceram um apoio para logística e locais para treinamento, mas infelizmente nada em dinheiro foi oferecido - finalizou.

Com a decisão do Flamengo, Diego Hypolito, Jade Barbosa e Daniele Hypolito, atletas da ginástica, os judocas Érika Miranda, João Gabriel Schlittler, Breno Viola e Nacif Elias, além da treinadora da seleção brasileira feminina, Rosicléia Campos, ficaram desempregados. O remo resistiu devido à exigência estatutária. O pólo aquático e o nado sincronizado, com baixo custo, também foram mantidos.


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