Atletismo

'Nunca foi sacrifício treinar', diz Sergei Bubka

Durante palestra na qual ahe! esteve presente, o maior recordista do salto com vara destaca o papel do técnico e diz que paixão e disciplina eram pilares do seu treino
02/10/2012 10:57 - Atualizado em 02/10/2012 11:10
Por Natália da Luz
Londres - Inglaterra

Ele quebrou o recorde 35 vezes (17 outdoor e 18 indoor) representando a União Soviética - antes de o regime socialista ser destituído, pondo fim à Guerra Fria - e a Ucrânia, seu país de origem. Ele foi a verdadeira potência no salto com vara e, por repetidas vezes, considerado o melhor atleta do mundo. Na modalidade, Sergei Bubka chegou a um patamar ainda inalcançável. Tudo isso porque, na opinião dele, a dedicação foi conduzida pela sua paixão.


- Eu me perguntava: Por que eu me sacrifico tanto? Para chegar ao lugar mais alto do pódio, eu respondia. Eu vi muitos atletas com talentos naturais, mas absolutamente desorganizados. Dormiam pouco, comiam mal... Para mim, toda aquela estrutura de disciplina era natural. Quando você sacrifica algo, você faz um trabalho fantástico -  conta o ídolo do salto com vara durante palestra em Londres para a qual o ahe! foi convidado.
 

Para ele, era natural, mas não era fácil. Bubka tinha os compromissos de atleta, mas levava a vida de um jovem normal com idas ao parque, ao shopping, às festas. A diferença é que a prioridade dele estava não apenas no salto com vara, mas no esporte.
 

Sergey Bukka em palestra na Academia Powerade - Londres - Thiago Vilhaça- Muitas pessoas não entendem a nossa vida, mas todos sacrificam suas vidas por algo e foi um prazer para mim. Você não perde nada, você constrói uma carreira, vê o mundo, pessoas...


Essa consciência desde a adolescência não foi em vão. Todas as melhores marcas são dele, como a de 6.14 metros em 1994 no Mundial da Itália e a maior de todas, o recorde mundial de 6.15 metros, em 1993 na Ucrânia, seu país de origem. Antes de ser considerado o melhor no salto com vara, ele já era um atleta de múltiplos talentos com desempenho acima da média nos 100 metros e no salto em distância. A entrada para a história do esporte foi mesmo no salto com vara. A sua primeira aparição como fenômeno foi em Helsinque (Finlândia), no campeonato mundial de 1983, com o salto de 5, 75 metros.
 

Em 1988, ele ganhou o ouro na Olimpíada em Seoul após saltar 5,90 metros. Nos Jogos seguintes, não se classificou e ficou fora de Barcelona, em 1992. Atlanta, em 1996 (o atleta estava lesionado), e Sidney, em 2000, não tiveram Bubka no pódio. Sobre essa participação, ele lembra com entusiasmo da medalha dourada e destaca a dificuldade em se manter no auge da performance em ciclos olímpicos distintos.
 

Prova de Salto com Vara - Londres 2012 - Thiago VilhaçaEle se diz privilegiado por participar de várias edições olímpicas, mas não estava no auge como em 1988. A União Soviética estava se desmantelando e, a partir de 1993, ele passou a competir pela Ucrânia, quando ganhou o ouro no mundial de Sttutgart.
 

- Você treina muito para uma Olimpíada, e se não estiver absolutamente preparado, isso pode destruir você mesmo. É uma combinação de foco, controle, maturidade. Por isso, o acompanhamento psicológico é tão importante. Ele prepara a sua mente para a pressão - ressalta o ucraniano, completando que o atleta precisa tirar a emoção em alguns momentos e colocá-la em outros. 


Ao técnico, o reconhecimento
 

Aos 11 anos, ele já chamava a atenção e despertava o interesse de técnicos com um salto de 2,70 metros. Vitaly Petrov foi buscar no jovem o que todo treinador sonha encontrar: um talento no esporte, pronto para ser lapidado e transformado em campeão mundial. Durante a parceria de 16 anos, foi isso o que ele fez.
 

- Eu acho que o sucesso está entre o atleta e o técnico. Eu fui uma criança com sorte, porque desde o início o meu técnico me testou, me ajudou. Eu considero muito os técnicos porque eles fazem dos atletas grandes campeões. Os atletas se transformam em estrelas e heróis porque os técnicos os fazem. Os atletas se desenvolvem todos os dias. Todos os dias são importantes, e o técnico é a ferramenta principal para esse crescimento - conta Sergei ao ahe! na Academia Powerade, erguida em Londres.


Ele fala com paixão do seu orgulho pelos técnicos e do reconhecimento que eles ainda precisam, já que os torneios são árduos e a sua contribuição imprescindível.
 

Tecnologia no esporte
 

Até o início do século XX, as varas da modalidade eram feitas de bambu ou madeira, depois, o material eleito era o alumínio. Atualmente, a materia-prima utilizada é a fibra de carbono ou fibra de vidro, muito mais flexível para o salto. Antes do desafio do sarrafo, o atleta pega impulso em uma pista de 45 metros até cruzar a fronteira. Hoje, depois do sarafo, o destino é bem mais confortável do que o praticado no passado. Até 1960, os atletas eram obrigados a cair na areia dura. Agora, eles aterrissam em colchões macios produzidos sob medida para o esporte.
 

O esporte que fez de Bukka o maior ídolo está presente na Olimpíada desde a primeira edição dos Jogos e, desde 1896, ele passou por muitas transformações.
 

- A tecnologia tem um impacto significativo neste esporte porque dependemos muito de novos materiais para melhorar o salto e toda a performance durante a apresentação.O futuro depende de novas tecnologias e de como pudermos mudar, para pular melhor - conta o ex-saltador.

Atrás dele, o atleta com a melhor altura é o russo Maksim Tarasov, com 6,05 metros no currículo. Mesmo sem superar as marcas do ídolo do esporte, o francês Renauld Laveline, ouro na Olimpíada de Londres, ultrapassou o recorde olímpico ao saltar 5,97 metros.


Prova de Salto com Vara - Londres 2012 - Thiago VilhaçaAlém de Laveline, Sergei diz que viu atletas excelentes em Londres e que, as mulheres, em especial, estavam brilhantes.


- Todo esse movimento não é apenas na pista de atletismo. A Olimpíada é mais, nós respeitamos e mandamos mensagens, traduzimos valores através dos jogos. É um espírito incrível. É o melhor que podemos fazer pelo esporte.


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