Carlos Eduardo Novaes

O grande mistério

Em meio à dúvidas que ainda persistem, tênis brasileiro dá sinal de vida
17/09/2012 15:31 - Atualizado em 17/09/2012 18:47
Por Carlos Eduardo Novaes
RIO

Bruno Soares e Ekaterina Makarova beijam o troféu do US Open - Foto: AFPEnfim o tênis brasileiro deu sinal de vida! Retornou à primeira divisão da Copa Davis – o Mundial do esporte – de onde estava afastado desde 2003, ao derrotar a Rússia com uma atuação para ninguém botar defeito.

Acompanho o tênis desde que, na juventude, abandonei a raquete – na quadra central do Fluminense – trocando-a pelas sapatilhas do atletismo. Nos anos 90 cheguei a imaginar que o sucesso do Guga inspiraria a formação de grandes tenistas – equiparando-nos aos hermanos de baixo –, mas os anos foram me mostrando que os novos atletas estacionavam longe do talento do manezinho campeão.

Sempre frustrado nas minhas expectativas, aboletei-me na poltrona para observar nossos atletas nas quadras do US Open. Entramos com um razoável contingente no qualifying – seis homens e a pernambucana Teliana Pereira –, além de outros dois na chave principal e quatro no torneio juvenil. Quem sabe algum deles não surpreenderia a galera como Guga no Roland Garros de 1997 e me faria recuperar as esperanças? Doce ilusão. Foram caindo um a um nas primeiras rodadas. Já me preparava para “baixar o malho” quando percebi que o pouco conhecido Bruno Soares avançava nas duplas mistas ao lado da russa Ekaterina Makarova. Pensei: vou aguardar a queda do Bruno para fechar o pacote em uma única crônica. E não é que o mineiro não caiu? Sua dupla foi vencendo todos os adversários até chegar à final e conquistar o torneio das mistas. Pouco importa que tenhamos ficado com 50% do titulo...

Engavetei a crônica – que começara a escrever – decidido a usá-la mais à frente na disputa da Davis. Em 2009 o Brasil fora eliminado pelo Equador jogando em casa, ano passado perdeu a repescagem para a Rússia e pelo andar da carruagem (o tênis é o esporte dos reis, só anda de carruagem) ninguém se espantaria com uma nova derrota. Só que desta vez o Brasil foi à forra e aplicou uma sonora goleada (5x0) nos conterrâneos da Makarova. Rasguei a crônica.

Como me resta algum espaço nesse texto, aproveito para dizer que nada me intriga mais no tênis do que o tenista escolher uma bola no momento do saque. Já perceberam? Ele pega as bolas do gandula e fica analisando-as como se escolhesse laranjas na feira. “Essa não, essa nem pensar, essa aqui é minha bola de estimação, é com ela que vou fazer um ace!” Na minha época todas as bolas eram iguais. Ou então eu não sabia distingui-las e isso foi fatal para minha carreira. Tem vezes que o tenista dispensa todas as bolas que estão à mão e pedem justamente aquela que ficou com o gandula. Por quê? Não são todas iguais? Todas redondas? Não são todas feitas pelo mesmo fabricante? Haverá alguma mais lisa? Mais felpuda? Mais simpática ao tenis?

Confesso que essas escolhas tem sido, para mim, o grande mistério do tênis.

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Carlos Eduardo Novaes
Escritor, jornalista, dramaturgo etc.

Visão muito peculiar dos esportes olímpicos de um dos mestres da literatura brasileira