Performance

Mais atenção para a ciência do esporte

COB faz balanço sobre o departamento que ganha importância a cada ciclo olímpico. Cerca de R$1.5milhão foi o investimento do setor para Londres 2012
10/09/2012 12:03 - Atualizado em 10/09/2012 12:57
Por Natália da Luz
RIO

Após a cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos neste domingo, o ciclo olímpico londrino deu lugar ao brasileiro, que, em 2016, terá o seu auge como anfitrião do maior evento esportivo. Neste caminho de quatro anos, o modelo brasileiro promete dedicar ainda mais importância às áreas que antes não eram tão requisitadas. Uma delas é a Ciência do Esporte que, para Londres, foi ampliada a fim de reforçar o trabalho realizado pelas confederações do país.


- Após os Jogos Olímpicos de Pequim 2008, esse departamento do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) foi ampliado para complementar o trabalho na preparação dos atletas brasileiros – conta em entrevista ao ahe! Luis Eduardo Viveiros, responsável pelo setor de ciência do esporte do COB, destacando as principais áreas abordadas: fisiologia, bioquímica, nutrição, psicologia, meteorologia, treinamento esportivo e vídeoanálise.


Concentrados no Crystal Palace, que foi o centro de treinamento da deleção brasileira em Londres, cerca de 20 profissionais ligados à área trabalharam para dar o suporte da ciência ao melhor desempenho nas competições. Segundo Luis, no último ciclo olímpico, foram destinados R$ 1,5 milhão para o departamento, envolvendo também a compra de equipamentos esportivos e a criação de modelos preventivos de lesão.
 

Seleção de futebol feminino, uma das contempladas pela Ciência do Esporte - AHE! - As modalidades que mais utilizaram os serviços, tanto no período pré, no Brasil, quanto durante os Jogos, em Londres, foram: atletismo de velocidade, canoagem, ginástica artística, judô, taekwondo, natação, saltos ornamentais, vela, maratonas aquáticas, pentatlo moderno, boxe, futebol feminino, vôlei de praia, tiro esportivo e lutas - destacou Luís Eduardo Viveiros.


 

Treinamento computadorizado
 

Durante a preparação para os Jogos de Londres, Luís lembra que um dos recursos mais utilizados foi o dartfish, um software que permite acompanhar, em vídeo, o movimento dos atletas.

O aparelho pode isolar posições importantes durante o exercício e oferecer comentários escritos ou orais sobre cada posição, ou sobre o vídeo em geral. No Crystal Palace, Luís revela que o COB transformou uma das salas na central de monitoramento dos atletas, composta por oito monitores ligados 12 horas por dia, que exibiram em tempo real os 40 canais olímpicos.


- Os atletas e comissões tinham acesso às imagens e podiam decupá-las, fazer download da disputa ou mesmo análises tática e estratégica dos adversários de esportes individuais e coletivos. O especialista ainda destacou que a estrutura envolveu os times femininos de handebol, futebol e basquete, a seleção masculina de basquete, além do boxe, taekwondo, judô e vôlei de praia.
 

Natalia Falavigna em treinamento no Crystal Palace - Alaor Filho

Por conta do comprometimento com a performance esportiva, o COB avalia a preparação do Brasil em Londres como a melhor de sua história. Apesar do resultado positivo (17 medalhas no total, sendo três de ouro, cinco de prata e nove de bronze), ainda há muita estrada e muitas barreiras a serem ultrapassadas para equiparar o Brasil às principais potências olímpicas no quesito dos estudos do treinamento e da preparação física.


As duas maiores potências esportivas (China e Estados Unidos) creditam parte do seu sucesso nas Olimpíadas à tecnologia e aos avanços no campo da ciência, onde já tornou-se comum ver pesquisadores se voltando para o esporte com dedicação exclusiva à recuperação física, biodinâmica e bioquímica do esporte.  
 

 - Acreditamos que os Jogos Olímpicos Rio 2016 trarão um grande avanço para o Brasil nesta área, seja através do intercâmbio com as principais práticas, desenvolvimento de especialistas na área ou de compra e aquisição de equipamentos - revelou, ressaltando que o COB seguirá apostando, durante os Jogos, em processos controlados de recuperação individualizada dos atletas brasileiros.


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