Paradesporto

Adaptação e transformação no paradesporto

Ao longo dos anos, modalidades que usam cadeiras de rodas e próteses foram privilegiadas. Atletismo e rugby, por exemplo, ganharam o apoio da tecnologia
02/09/2012 08:57 - Atualizado em 02/09/2012 09:22
Por Natalia da Luz
RIO

O esporte paralímpico tem sido adaptado para fazer com que atletas com necessidades especiais possam participar das competições. Algumas modalidades dependem exclusivamente do atleta, já a prática de outras, tornou-se possível graças ao suporte da ciência. 
 

- O atletismo ganhou muito em função da técnica de propulsão para as cadeiras de rodas. Nas categorias para amputados, é uma das modalidades que se destacam em função das próteses, que não apresentam vantagens para o atleta, mas possibilitam sua participação com mais precisão nos movimentos - conta em entrevista ao ahe! o doutor em Educação Física pela Unicamp José Irineu Gorla, completando que a inovação é uma forma de dar mais condições aos atletas.
  

O professor do Departamento de Atividade física Adaptada lembra que, no basquete e no rugby, a cadeira de rodas é exclusiva e desenvolvida de acordo com as medidas antropométricas de cada atleta, ou seja, personalizada.

 

Criado no Canadá, na década de 70, o rugby sobre a cadeira de rodas reúne atletas com deficiência em pelo menos três membros (decorrentes de pólio ou amputação, por exemplo). Pelo alto grau de deficiência, esses atletas não tinham condições de disputar os torneios basquete,  já praticados desde 1946 nos Estados Unidos. O rugby tournou-se modalidade paralímpica desde a edição de Atlanta, em 1996. 

 

Torneio de rugby dobre cadeira de rodas - Beto Monteiro - CPB

Nas competições da modalidade, cada jogador recebe uma pontuação (que varia de 0,5 a 3,5) de acordo com o grau de deficiência. As equipes são formadas por quatro atletas que, em pontos, não devem somar mais do que  oito. O rugby, para o especialista, é um exemplo complexo de ser viabilizado, já que o desenvolvimento das cadeiras de rodas possuem um alto custo.

 

- Além das dificuldades em materiais, muitos profissionais não são preparados. Atualmente, há nas universidades disciplinas voltadas para pessoas com deficiências, mas muitas são apenas de caráter teórico, e os alunos não vivenciam as práticas com essas pessoas -  lamenta José.

 

As modalidades nas versões olímpicas e paralímpicas possuem algumas diferenças, mas uma coisa é igual: a exigência. O treinamento é puxado para qualquer atleta, e a medalha é o objetivo final da maioria dos 4.200 atletas de 166 países que estarão em Londres até o dia 9 de setembro.  

 

Seleção feminina de basquete sobre rodas - CPB- Há limitações impostas pela deficiência, como por exemplo, no caso do atleta com lesão da medula espinhal que apresenta tetraplegia. Há um comprometimento da função cardíaca que é reduzida, sendo que sua frequência cardíaca não supera, em média, mais do que 130 batimentos cardíacos por minuto em esforço. Outro fator é que alguns atletas têm menos grupos musculares atuantes, e outros apresentam amputações de membros - ressalta o especialista lembrando que, também por, são necessários treinamentos específicos. 

 

Regras para adaptação

 

Segundo José, muitos esportes conservam as mesmas regras, independentemente do torneio ser convencional ou paradesportivo. No basquete sobre cadeiras de rodas, por exemplo, a única modificação se dá em função do deslocamento com a bola, como por exemplo, colocar a bola no colo (o equivaleria andar com a bola no basquete convencional).

 

Disputa de tênis de mesa no Parapan 2007 - CPB- O tênis de mesa também tem as mesmas regras. No saque, para usuários de cadeira de rodas, a bola tem que ser direcionada para o meio da mesa, e o atleta até pode apoiar-se na mesa - exemplifica.

 

Seguindo a linha das regras e características dos esportes, o rugby é tomado como exemplo novamente. Na paralimpíada, o objetivo deste esporte  é marcar gol, delimitado por dois cones verticais na linha de fundo da quadra. Entretanto, é preciso passar a linha de gol adversária com duas rodas da cadeira segurando a bola. 

 

- O início do jogo funciona como no basquete: dois atletas permanecem dentro do círculo central na disputa pela bola, jogada ao alto pelo árbitro. Eles podem conduzí-la sobre suas coxas, passá-la para um companheiro ou quicá-la. O jogador pode ter a posse da bola por tempo indeterminado, mas precisa quicá-la pelo menos uma vez a cada 10 segundos. O time que tem a posse da bola não pode demorar mais de 12 segundos para entrar no campo do oponente e 40 segundos para finalizar a jogada - detalha, afirmando que a medida visa tornar a modalidade o mais dinâmica possível.

 

O aumento do patrocínio, da divulgação, das políticas de inserção e, certamente, dos recursos tecnológicos produzem um paradesporto mais comprometido, de mais alto nível. A cada ciclo paralímpico, há novos treinamentos, estudos científicos e metodologias de treino, um conjunto que repercute na melhora do desempenho e uma sociedade mais democrática.


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