Basquete

Hélio Rubens diz ter 'cumprido missão' no Franca e projeta sucesso no Uberlândia

Experiente treinador explica ao ahe! o novo método de trabalho que vai implementar na equipe mineira
21/08/2012 14:42 - Atualizado em 21/08/2012 15:00
Por Thiago Mendes
RIO

Se hoje Franca é a capital do basquete brasileiro, Hélio Rubens certamente tem uma enorme parcela de colaboração. Após 50 anos – sendo 25 como jogador e mais 25 como técnico –, no entanto, a era do lendário treinador na cidade do interior paulista chegou ao fim. Em um longo bate-papo com o ahe!, na primeira de três matérias especiais, Hélio garantiu ter sentido a sensação de “dever cumprido”, revelou mágoa com uma pequena parte da imprensa local e mostrou-se empolgado com seu novo projeto no Uberlândia.

Para o treinador, a saída do Franca não apaga sua história na cidade. Este adeus, ao que parece, é definitivo, mas consigo, Hélio carrega uma pesada bagagem de muitas glórias, títulos e o status de ídolo. No entanto, em um pequeno espaço dessa mala, vai também um pedaço de tristeza, causado por uma série de críticas por seu trabalho na última temporada do Novo Basquete Brasil (NBB).

– Fiz uma avaliação pessoal e senti que minha missão em Franca estava cumprida. Participei de simplesmente todos os títulos do basquete da cidade, que acabou sendo considerada como a capital da modalidade no país. Achei também que era necessária uma renovação natural. Havia também uma minoria da imprensa que criticava, que era contra tudo e contra todos, então pensei bem e resolvi sair. Tenho minhas palestras, minhas clínicas, convites de outras equipes... Não precisava passar por aquilo - revelou ele, que confirmou sua ida ao Uberlândia pouco depois do adeus ao Franca.

Hélio Rubens foi eleito o melhor técnico da temporada 2010/2011 do Novo Basquete Brasil (NBB) - Luiz Pires/LNB

Na cidade mineira, Hélio Rubens vai dirigir a equipe da qual esteve à frente em 2005. Essa volta, entretanto, significa o início de uma nova era no basquete brasileiro. Isso porque, ao lado de mais dois treinadores, tentará implementar um novo método de trabalho, inspirado no realizado na maior liga do mundo: a NBA.

– Eu penso que, na prática, os técnicos precisam conversar entre si, tomar as decisões em consenso. Seremos três técnicos, não vou considerar o Brasília e o Rodrigo (Carlos da Silva) como assistentes, pois terão voz ativa assim como eu. Vamos dar oportunidade aos jogadores falarem o que estão sentindo, vamos criar essa interação. Nem sempre o técnico percebe tudo o que acontece e, por isso, precisamos ter mais pessoas observando o que está acontecendo. Quando há mais “cabeças” pensando, a chance de alguma coisa dar certo é maior do que quando se tem apenas uma – explicou.

ahe! – Como recebeu e o que te motivou a aceitar o convite do Uberlândia?

Hélio Rubens – O convite chegou sem eu estar esperando. Eu havia, inclusive, recebido algumas propostas da Argentina, mas o Uberlândia me cativou mais. Aceitei por conta de dois aspectos. Primeiro pela paixão que o povo mineiro tem pelo basquete, pelo reconhecimento do trabalho que realizei no passado e, em segundo, por poder seguir convivendo com a minha família.

Hélio ao lado de seu filho, Helinho - Divulgaçãoahe! – A ida do Helinho para o Uberlândia teve sua influência?

Hélio Rubens – Acredite se quiser, não. Nesse processo de renovação do Franca, o Helinho também decidiu não permanecer por lá e acabou acertando com o Uberlândia. Não tive nada com a chegada dele. Aliás, jamais tive influência em qualquer movimentação na carreira dele. No Vasco, por exemplo, ele foi antes de mim.

ahe! – Ainda há quem critique o fato de vocês dois sempre trabalharem juntos. Como lida com isso?

Hélio Rubens – Eu adotei um conceito de que o que as pessoas falam ou pensam sobre mim é problema delas. Eu tenho total consciência de meus atos e me sinto muito tranquilo. Ele mesmo, quando é perguntado, “quebra” as pessoas dizendo: “eu tenho orgulho de trabalhar com um treinador extremamente vencedor, independentemente de ser ou não meu pai”. Isso que importa.

ahe! – Como os jogadores do Uberlândia estão lidando com o novo método de trabalho?

Hélio Rubens – Os jogadores estão recebendo muito bem essa novidade. Estão motivados como poucas vezes eu vi um grupo. Há um clima maravilhoso de companheirismo, de personalidade coletiva. O time vem muito bem esse ano. Temos a meta de ficar entre os quatro e a vontade de ser campeão. O pessoal está muito bem mesmo.

ahe! – Na hora “H”, quem terá o poder da decisão em quadra? Quem vai, por exemplo, fazer os pedidos de tempo e realizar as substituições?

Hélio Rubens – Infelizmente, o regulamento exige que tenha apenas um treinador, o único que poderá, por exemplo, ficar de pé à beira da quadra. Este serei eu, mas todos terão a mesma autoridade.


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