Londres 2012

'Talento e estímulo me levaram para o pódio', diz medalhista de salto em distância

Mitchell Watt levou a prata em sua primeira Olimpíada. Em entrevista ao ahe!, o australiano já pensa no pódio de 2016
12/08/2012 13:10 - Atualizado em 12/08/2012 18:22
Por Natália da Luz
Londres, Inglaterra

Com 8,16m, ele saltou para o pódio e, aos 24 anos, incrementou o quadro de medalhas do país famoso pelo desempenho nas piscinas, no remo e na vela. O segundo lugar do salto em distância foi para a Austrália e para Mitchell Watt, que listou talento e estímulo como os responsáveis pela sua estreia prateada na Olimpíada de Londres.

 

- O primeiro ponto é o talento e o segundo, sem dúvida, é o estímulo.Você precisa acreditar naquilo que você pratica. Não importa se você corre, luta ou nada – afirma o atleta em entrevista ao ahe!, completando que, mesmo acreditando em seu potencial, ganhar a medalha foi surpresa para ele.

 

Apesar de a maioria compartilhar o objetivo da superação, o verbo superar tem intensidades distintas quando se trata de esporte coletivo e individual. No caso do atletismo, ele é mais preciso, minucioso. É sempre o mais alto, o mais distante e o mais rápido que se aproxima do pódio.

 

Exatamente 4 centímetros foi a distância que separou a prata do bronze. Por pouco, o norte-americano Will Claye, com 8,12m, não bateu a marca de Mitchell. Na mesma prova, o primeiro lugar ficou com o britânico Greg Rutherford, com 8,31 m .

 

- O desafio no atletismo é ainda maior do que em muitos esportes, e aí que entram o dom e o estímulo - conta o atleta que tem o recorde de toda a Oceania, com a marca de 8,54m, mostrando a medalha.

 

Apesar da busca pelo recorde, a prova em Londres não chegou a ultrapassar os índices de Pequim 2008. Na última edição, o ouro ficou com o panamenho Irving Saladino, que saltou 8,34m (três centimetros a mais do que a prova do último sábado). A prata foi do sul-africano Khotso Mokoena (8,24m), e o bronze do cubano Ibrahim Camejo (8,20m).

 

Sobre a comparação, Mitchell diz que há variações de torneio para torneio. Apesar de ele estar em sua melhor forma, lembra que ele poderia ir mais longe. Essa consciência não vem como cobrança, mas como aprendizado.


 

Antes dos 13 anos, ele já competia os 100m, 200m, 400m, salto em distância e salto triplo. No ano passado, ele foi prata no Mundial em Daegu (Coréia do Sul) e venceu o torneio australiano com a sua melhor marca: um salto de 8,44m de distância.

 

 -São mais de 6 bilhões de pessoas em todo o mundo. Ganhar uma medalha na Olimpíada não é algo simples. Agora eu posso sentir como é! É incrível e, ao mesmo tempo, é difícil mensurar o que faltou para o ouro - destaca o atleta treinado por Gary Bourne, ex-técnico de Jai Taurima, ex-saltador australiano (prata em Sidney 2000).

 

 Mitchell menciona o talento (que supera a infraestrutura) dos quenianos, potência em muitas das categorias do atletismo, lembrando que não adianta ter os melhores equipamentos, a melhor equipe, o melhor e o mais experiente técnico, se a paixão não for maior do que isso tudo.

 

- Os quenianos são atletas excelentes que expressam bem isso. A gente vê que pode faltar investimento, dinheiro, equipamento, mas não o estímulo em competir. Eles amam correr, amam competir – constata.

 

A Olimpíada ainda nem acabou e ele já faz planos para o próximo ciclo olímpico. Comportamento típico de vencedor, que não tem tempo a perder e conserva a disciplina como arma para lutar pelo ouro em Rio 2016.

 

- Passa muito rápido. Eu me lembro quando estávamos contando 100 dias para a Olimpíada, e agora estamos nela! Não tenho dúvida de que estarei fisicamente muito bem. Daqui a um mês ou dois, vou começar a me concentrar .


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