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Década Esportiva: o esporte na economia brasileira

Momento único do Brasil é retratado em pesquisa que mostra o avanço do PIB do esporte. Na última década, o setor cresceu 17% em participação do PIB brasileiro
31/07/2012 12:22 - Atualizado em 01/08/2012 12:03
Por Natália da Luz
RIO

O Produto Interno Bruto (PIB) é uma equação formada por itens, que, quando saudáveis, empurram para frente a economia do país. Ele é igual a soma do consumo privado, investimentos, gastos do governo e a diferença entre exportações e importações. Enquanto alguns componentes como o investimento perdem força, uma indústria em particular cresce a passos largos.

Essa indústria é a do esporte, que, na última década, cresceu 5,09%, acima do PIB, que ficou em 3,65%. A pesquisa sobre o esporte na economia brasileira foi transformada em livro assinado pelo economista Istvan Kasznar e pelo presidente da Confederação Brasileira de Vôlei, Ary Graça.
 

Comparação entre o crescimento médio da economia e do PIB do esporte - AHE!- Temos um PIB muito significativo que, dentro de pouco tempo, poderá superar o PIB da Alemanha, fazendo com o que alcancemos a 5ª economia do mundo. E o esporte vem ajudado nesse trajeto – afirma, em entrevista ao ahe! o economista PhD pela California Coast University, completando que, na última década, o esporte cresceu 17% em participação do PIB brasileiro.


A projeção de crescimento do PIB (medição que existe desde 1948 no Brasil) deve beirar os 2% neste ano, segundo analistas do mercado, percentual que vem obrigando o governo a implementar medidas que favoreçam o consumo, como a queda dos juros (taxa Selic: hoje em 8,0% a.a.) O baixo investimento também é barreira que precisa ser superada.


 

Um país de mais esportistas

Setor promissor na indústria do esporte, a prática de exercícios tornou-se hábito na vida de muitos brasileiros. Segundo a International Health, Racquet& Sportsclub Association (IHRSA), entidade internacional do setor de esporte e saúde, de 2007 a 2010, o número de academias no Brasil dobrou. Temos mais de 16 mil estabelecimentos, número que fica atrás apenas dos Estados Unidos.
 

- A participação em maratonas e a prática de exercícios em clubes e academias vem crescendo, mas ainda não é o suficiente, já que temos 50% da população que não pratica esporte – ressalta o autor do livro.
 

Segundo pesquisa International Health, Racquet& Sportsclub Association, o número de academias do Brasil dobrou entre 2007 e 2010. - Divulgação Smart Fit A consciência em relação a esse novo hábito ganha força com outra pesquisa - publicada pela revista científica Lancet no último dia 18, que afirma que o sedentarismo mata mais do que o fumo. Apenas em 2008, a inatividade física foi causa da morte de 5,3 milhões de pessoas, o equivalente a 10% das mortes em todo o mundo no mesmo ano. No Brasil, o sedentarismo é o responsável por 8,2% dos casos de doenças cardíacas e 10,1% dos casos de diabetes tipo 2.
 

Esse grande mercado esportivo também inclui aqueles que se vestem como atletas, mesmo que não sejam. Além da preferência pela moda esportiva (o clima do Brasil contribui muito para isso), há a fidelização das marcas esportivas que vem ocupando os armários dos brasileiros, mas ainda podemos mais... Isso porque o investimento do brasileiro na última década em esporte - seja lazer ou saúde - é o equivalente a 2% da renda, enquanto os americanos, apesar da fama de obesos, dedicam 6%.
 

Um grande negócio para empresários
 

Em entrevista ao ahe!,o presidente da Confederação de Vôlei, Ary Graça, diz que os empresários estão se conscientizando da importância do esporte para as suas empresas, já que é inegável a sua participação no aumento de receitas.
 

- Somos um veículo de exposição, de mídia para os nossos patrocinadores. As empresas percebem isso e acabam investindo ainda mais - fala, mencionando o Banco do Brasil como exemplo.

Entre os grandes subsetores do setor esportivo, a publicidade registrou crescimento de 10,91% na década. Uma tendência que deverá ser mantida após 2016.
 

- O legado que temos que deixar abrange toda essa indústria. Não podemos apenas vencer. Temos que estar preparados para perder e para renovar as novas gerações das modalidades.
 

Ciclo de formação da imagem

Investimento é um dos pilares, mas não caminha sozinho. É preciso ser consolidado com política pública, especialmente quando esbarramos em um drama social: 40% dos brasileiros ganham até dois salários mínimos. Assim, sobra pouco para o esporte.

Sem dúvida, a criação de um ministério para o esporte ajudou. Antes de 1995, Esporte e Educação compartilhavam a mesma pasta. Hoje soa estranho... Em 1998, ele passou a integrar o ministério do Turismo e apenas no primeiro ano do governo Lula, ele ganhou a sua devida importância, com um orçamento que cresce sem parar. Para este ano, o orçamento é de R$2,6 bilhões, valor logo acima o do Ministério da Cultura (R$ 2,1 milhões).
 

Consciência corporal em treinamento de judô - AHE! - O mercado também se organizou. Hoje temos mais empregos, programas específicos de performance esportiva, altos salários, contratos com especialistas de diferentes áreas que, juntos, alimentam essa grande indústria do esporte – diz Ary, listando fisioterapeutas, fisiologias, psicólogos e nutricionistas como alguns componentes beneficiados por essa profissionalização do esporte.
 

- Toda essa infraestrtutura tem também o objetivo de impulsionar o desempenho nas Olimpíadas e é isso que esperamos que aconteça em Londres.


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