Handebol

Deonise garante que seleção pode sair de Londres com medalha

Após o quinto lugar no mundial, armadora acredita em outro resultado histórico
28/07/2012 10:50 - Atualizado em 28/07/2012 13:01
Por Francisco Junior
RIO

Integrante da seleção brasileira de handebol desde 2005, Deonise Cavaleiro pode ser considerada a mulher de confiança do treinador Morten Soubak dentro de quadra. Sua experiência internacional – atualmente defende o Hypo, da Áustria – garante qualidade para a equipe e credencia a armadora como uma das atletas base.

Antes de deixar a Espanha para defender o Hypo, a camisa 81 da seleção conquistou três títulos - Super Copa Espanhola, Copa Da Rainha e Liga Espanhola. Os feitos notáveis não se resumem ao clube espanhol. Pela seleção, Deonise foi peça importante no melhor resultado na história dos Mundiais, quinto lugar na competição disputada em São Paulo. Agora, a armadora acredita que o Brasil tem condições de sonhar ainda mais alto. Para Deonise, sair de Londres com uma medalha é possível.

AHE! - Como foi a trajetória até a conquista da vaga para os Jogos de Londres?

Deonise -
Este grupo esta junto há muito tempo, pelo menos a grande maioria das jogadoras, o que facilitou a chegada das mais novas. O Morten encaixou perfeitamente com a gente e tenho que comentar também que a psicóloga esta fazendo um trabalho fenomenal com todo o grupo, trabalhando com todas as atletas todos os dias! Fomos para Guadalajara com apenas um pensamento, ganhar o ouro e classificar para Londres. Todas sem exceção tínhamos o mesmo objetivo, que foi o que fez o Brasil estar tão forte!

AHE! - Você está na seleção desde 2005. Como avalia esse período de crescimento do handebol brasileiro? O trabalho realizado por Morten Soubak tem sido fundamental para alcançar essa evolução?

Deonise -
Eu acredito no crescimento diário, e não apenas em uma explosão do handebol. Todos os treinadores que passaram pela seleção foram importantes, cada um da sua maneira e no seu momento. Para mim o Morten é fantástico, um dos melhores treinadores que já tive, e tem uma comissão técnica que acompanha seu pensamento e postura! Sua dinâmica de handebol se encaixa agora mesmo perfeitamente com as jogadoras que a seleção brasileira tem, o que é muito importante para o crescimento do nosso handebol!

Deonise, de 29 anos, está na seleção desde 2005 - Divulgação/Photo&GrafiaAHE! -
A seleção brasileira conquistou o Pan de Guadalajara com uma campanha impecável (cinco vitórias, 201 gols marcados e 70 sofridos) e fez história no Mundial. Como você avalia esse momento? O que os dirigentes poderiam explorar para aproveitar esses bons resultados?

Deonise -
Conquistamos tudo isso com muito trabalho, dedicação e um verdadeiro amor pelo handebol. Não é fácil a vida de atleta. Não é fácil não ter férias, não ter descanso, deitar todas as noites com alguma dor, estar longe das pessoas que você ama. Tudo tem seu preço e sua recompensa se você faz o teu trabalho da melhor maneira possível. Quanto à parte de dirigentes não tenho muito que falar, porque no final é sempre o mesmo, mais patrocinadores, mais incentivo, etc, etc... Penso que podemos melhorar quando o handebol não for vendido somente como handebol, precisamos divulgar mais as atletas, os jogos, fazer dos jogos um show com luzes, musica, animações ao estilo americano. Vender só o handebol é muito pouco!

AHE! -
Em Pequim, a seleção conquistou o nono lugar. A expectativa, para Londres, é apenas superar o resultado ou, diante das últimas conquistas, garantir um lugar no pódio?

Deonise -
A expectativa é fazer o melhor possível, ganhar todos os jogos possíveis. Não entramos nem vamos entrar em um jogo pensando no que vem depois. Pensamos somente em ganhar aquele jogo para poder seguir sempre pelo melhor caminho!

AHE! -
Em seu currículo, você tem duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos e vai participar de sua segunda olimpíada. Pensando no futuro, você estará com 32 anos nos Jogos de 2016, no Rio de Janeiro. Quais são seus planos para a competição?

Deonise -
Espero poder estar no Rio em 2016, é um sonho e algo pelo qual vou lutar. Tenho a ideia de jogar esta olimpíada do Rio e depois parar com o handebol para poder ter um filho, mas claro estes são meus planos, se vão dar certo não depende somente de mim, depende de muitos fatores. Espero que tudo se realize como tenho planejado!

AHE! -
Como você avalia a formação de novos valores para as seleções masculina e feminina do Brasil? Quem você aponta como a grande revelação feminina dos últimos tempos?

Deonise - O Brasil tem muita matéria prima, falta só estrutura para transformar essa matéria prima em diamante, tanto no masculino quanto no feminino! Para mim a maior revelação dos últimos anos no feminino é a Eduarda Amorim, a Duda. É uma fantástica jogadora e pessoa.


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