Atletismo

Fabiana Murer demonstra confiança em seus resultados para almejar medalha em Londres

Brasileira garante que problema enfrentado em Pequim não vai atrapalhar sua concentração
15/07/2012 09:00 - Atualizado em 15/07/2012 13:46
Por Francisco Junior
RIO

Uma das principais esperanças do Brasil para conquistar medalha nos Jogos de Londres é Fabiana Murer, do salto com vara. A brasileira, campeã mundial e da liga de diamante, terá como adversária mais forte a russa Yelena Isinbayeva. Apesar da grande concorrência, ela entra consciente do que precisa fazer para alcançar um resultado histórico para o país.

 

Após o problema enfrentado em Pequim, Fabiana garante estar mais madura e bem mais esperta para que o fato não ocorra novamente. Apesar disso, não há uma neurose excessiva que possa atrapalhar seus planos na maior competição esportiva do planeta. A atleta revelou, em entrevista exclusiva ao AHE!, sua expectativa quanto a marca que pretende alcançar em Londres.


AHE! - Com seus últimos resultados, você vai aos Jogos de Londres como favorita. Como você encara essa nova condição em sua carreira?


Fabiana Murer - O salto com vara feminino está muito competitivo, bem equilibrado. Após algum tempo sem bons resultados, a Yelena (Isinbayeva, russa) está acima das adversárias com essa marca que ela obteve no Meeting de Estocolmo (5,01m). Com a minha marca em Daegu (4,85m), acho que eu garantiria a medalha de bronze.

AHE! - Você acredita que suas adversárias tenham um respeito maior, devido ao seu bom momento?


Fabiana Murer - Tem umas seis ou sete atletas que vão disputar as medalhas. Com meus últimos resultados (campeã mundial, campeã da liga de diamante), as adversárias respeitam. Mas, na minha consciência, eu sei que é muito difícil conquistar uma medalha. Estou treinando muito para isso. Deixei de lado as competições em pistas cobertas para focar no treinamento e conseguir melhores marcas para chegar bem em Londres.

AHE! - Há um trabalho psicológico para que não haja uma pressão sobre você?


Fabiana Murer - Fabiana Murer - Não faço nenhum trabalho desse tipo. No meu clube, o BM&FBovespa, há um psicólogo para ajudar os atletas. Porém, eu não tenho utilizado. Eu tenho um treinador que ajuda também nessa parte. O Elson Miranda (marido da atleta), apesar de ele nunca ter participado de uma competição como os Jogos Olímpicos ou um Mundial, sempre me preparou muito bem para entrar nas grandes competições. Como vem dando certo, prefiro não mexer.

Fabiana Murer é a atual campeã mundial e da liga de diamante - Divulgação/BM&FBovespa

AHE! - O Brasil é um país que tem o histórico de poucas conquistas olímpicas. Caso você defendesse outra nação, você acredita que seria mais fácil lidar com a pressão?


Fabiana Murer - Acho que não. Os atletas querem medalhas, mesmo que o seu país seja acostumado a ganhar muitas. O país não sofre cobrança, mas o atleta sofre. Não fico pensando no que as pessoas vão pensar. Então, vou faço minha prova, faço o que tenho que fazer e não fico pensando em pressão. Acredito que encaro bem essa parte de pressão na minha carreira. É logico que para uma disputa dos Jogos Olímpicos aumenta a cobrança. Mas, eu sei que se eu treinar bem, se eu estiver confiante no que estou fazendo, vai dar tudo certo e eu vou saltar bem.

AHE! - Em Pequim, você disputou os Jogos como uma atleta ainda pouco conhecida. Agora, após suas conquistas e com mais experiência, como você é encarada?


Fabiana Murer - Eu tinha pouca experiência em competições internacionais. Acredito que estou melhor preparada do que há quatro anos atrás. Em Pequim, as atletas sabiam que eu tinha bons resultados. Porém, eu precisava mostrar mais. Acredito que, agora, estou em um nível diferente.

Com o problema do sumiço das varas em Pequim, Fabiana garante estar mais esperta - Divulgação/BM&FBovespa

AHE! - O sumiço das varas em Pequim deixa você mais alerta para qualquer problema?


Fabiana Murer - Nas grandes competições, nós entregamos as varas para os organizadores que fazem o transporte e temos que confiar neles. Mas, fiquei muito mais atenta a essas questões. Acabo verificando, além das varas, o colchão. Apesar disso, não fiquei neurótica. É praticamente impossível acontecer novamente. Mesmo assim, na hora do aquecimento, já estou dando uma conferida para amenizar qualquer problema na hora da prova.

AHE! - Qual sua expectativa quanto ao resultado em Londres?


Fabiana Murer - Acredito que fazendo minha marca do Mundial de Daegu (4,85), eu consigo uma medalha de bronze. Antes, nos meus pensamentos, eu acreditava que 4,90m seria suficiente para conseguir o ouro. Agora, com a marca da Yelena (5,01m), acredito que 4,95m deve garantir o primeiro lugar.


AHE! - Além da russa Yelena Isinbayeva, quais serão suas principais adversárias?


Fabiana Murer - Tem uma outra russa, a Svetlana Feofanova, que foi recordista mundial antes da Yelena e sempre consegue medalha nas grandes competições, a americana Jennifer Surh, vice campeã olímpica em Pequim. A inglesa Holly Bleasdale, de apenas 20 anos, que se tornou a quarta melhor atleta no salto com vara e vai competir em casa, é outro grande nome. A polonesa Anna Rogowska, que já foi campeã mundial (Berlim 2009), a alemã Silke Spigelburg, campeã da Liga de Diamante no ano passado. E não posso esquecer da cubana Yarislei Silva, que foi medalha de ouro no Pan de Guadalajara.

AHE! - Tecnicamente falando, como foi seu treinamento?


Fabiana Murer - Meu treino é basicamente o mesmo. A diferença maior está nos treinos de força. Estou podendo treinar bastante a técnica. Alguns detalhes que as vezes acabam passando. Estou com 12 passadas, mas quero fazer em 13 para ter um salto mais lento, mais focado na técnica. Posicionamento de quadril e posicionamento com a vara que podem tirar alguma velocidade e atrapalhar no salto.

AHE! - Perto das competições ou dentro de seu treinamento, você precisa passar por processos de ganhar massa muscular ou perder peso?


Fabiana Murer – Não passo por esses problemas. Não sou uma atleta muito forte, muito veloz. Até pela minha genética mesmo. Mas, treino bastante para ajustar esses pontos e ter um bom equilíbrio. Minha maior preocupação é melhorar cada vez mais minha técnica e minimizar meus erros.

AHE! - Como você foi parar no salto com vara?


Fabiana Murer - Comecei na ginástica artística. Eu estava ficando muito alta e me achando velha para a ginástica. Desde os sete anos de idade que eu pratico esportes. Então, eu queria continuar. Fiquei sabendo que estavam montando uma escolinha de atletismo em Campinas e fui procurar. O salto em distância ou corrida de velocidade foram as primeiras coisas que passaram na minha cabeça.

AHE! - Quem foi a primeira pessoa que incentivou e apostou em você?


Fabiana Murer - Quando eu falei que estava vindo da ginástica, o Elson, um dos treinadores que estava avaliando, me orientou a fazer o salto com vara. Ele disse que eu já tinha força nos braços e já estava acostumada a ficar de cabeça para baixo.

AHE! - Qual foi a primeira vez que você viu alguém competindo?


Fabiana Murer - Lembro de ter visto o salto com vara nos Jogos Olímpicos de 1996. Eu comecei no atletismo em 1997. Naquele momento, achei a modalidade curiosa e comentei: deve ser gostoso fazer isso, cair lá de cima.

AHE! - De cara, você percebeu que gostaria de ficar no esporte?


Fabiana Murer - Entrei no atletismo e só depois fui para o salto com vara. Então, os sonhos foram crescendo: disputar os Jogos Olímpicos, disputar um Mundial, ser campeã...

AHE! - Como é a sua vida fora do esporte?


Fabiana Murer - Sou muito caseira. Gosto de ficar com a família. Como passo muito tempo fora do Brasil, quando chego, quero ficar em casa com a família.

AHE! - Tem alguma frase que inspire você?


Fabiana Murer - Acreditar que tudo é possível. Foi com essa frase, com esse espírito que consegui meu resultado em Daegu. E vai ser assim que vou para Londres.

AHE! - Por ser ano olímpico, você diminuiu ou abdicou de suas férias?


Fabiana Murer - Tirei um mês de férias, após o Pan-Americano de Guadalajara. Fiquei parada mesmo, sem fazer nada. Depois, fui voltando bem devagar para evitar lesões.

AHE! - Qual sua expectativa para o atletismo brasileiro nos Jogos de Londres?


Fabiana Murer - Temos atletas com grandes chances de medalha. A Maurren Maggi, o Marílson Gomes e os revezamentos são as nossas grandes possibilidades. Com a Rosângela e a Ana Claudia conseguindo bons resultados no individual, as chances no revezamento feminino crescem. No masculino, o Brasil já tem mais tradição.


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