Futebol

Primeira experiência do goleiro Neto na posição foi jogando handebol

Reserva da seleção olímpica foi revelado pelo Atlético Paranaense e atualmente defende a Fiorentina; em Londres, atleta vai tentar acompanhar as meninas de Morten Soubak
14/07/2012 17:29 - Atualizado em 14/07/2012 18:38
Por Francisco Junior
RIO

Uma lenda antiga relata que onde eles vivem não nasce grama. Além disso, quando uma criança vai jogar futebol, ela não quer ficar debaixo das traves. Então, por que alguém decide ser goleiro? Na vida dos convocados para a disputa dos Jogos Olímpicos de Londres, os caminhos mais diversos foram levando o titular Rafael Cabral e o suplente Neto para essa posição ingrata. Seja ela nos campos ou nas quadras, onde é disputado o handebol, o sofrimento é grande.

Principalmente no futebol, a vida de um goleiro pode ir do céu ao inferno várias vezes. Ele pode fechar o gol e fazer defesas importantíssimas. Mas, se cometer um erro, será crucificado pela torcida. No handebol, as bolas na rede são mais constantes e a cobrança acaba sendo um pouco menor. Por outro lado, são boladas atrás de boladas – a maioria, à queima roupa.

No caso de Neto, revelado pelo Atlético Paranaense, um esporte olímpico pode ter influenciado seu caminho no futebol. Ainda na escola, como a maioria dos brasileiros, ele teve o primeiro contato com o handebol. Apesar do gosto por atuar na linha e balançar a rede, a função de evitar gols já o atraia.

- Acho um esporte muito bacana, cheguei a praticar na escola por algum período. Também tive a experiência de ter sido goleiro no handebol – disse, em entrevista exclusiva ao AHE!, o suplente da equipe de Mano Menezes, que revelou ainda uma identificação de seus familiares com a modalidade.

- Minha família é bastante alta, e várias primas optaram pela modalidade. Elas jogaram torneios interestaduais e também competiram no colégio. Nenhuma chegou a ser profissional, mas gostam bastante do esporte – disse o mineiro Norberto Murara Neto.

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O atleta da Fiorentina comparou a técnica de alguns arqueiros europeus com a dos goleiros do handebol. Ainda com ligação com o esporte, Neto sinalizou com a possibilidade de acompanhar as meninas comandadas por Morten Soubak.

- No meu caso, acho que minha técnica é diferente. Não me influenciou tanto o período que pratiquei. Mas, foi uma das minhas primeiras experiências no gol. É um esporte que pode dar uma medalha para o Brasil. Se eu tiver oportunidade, vou tentar acompanhar alguns jogos lá em Londres.

Neto, da Fiorentina, Gabriel, do Milan, e Rafael, do Santos, foram os atletas que conversaram com a imprensa neste sábado - Divulgação/CBFA relação do camisa 1 do Santos começou com um sentimento de ódio à primeira vista, que acabou se tornando amor para toda a vida. Aos seis anos, os amigos deram um “empurrãozinho”. Em seu primeiro dia em uma escolinha em Sorocaba, cidade onde nasceu, não tinha ninguém para agarrar e sobrou para Rafael.

- Nem tive muita oportunidade para jogar na linha. Não queria ir, mas fui para o gol para não acabar a brincadeira. Acabei dando muita sorte. A bola batia em mim e não entrava. Então, fui ficando na posição – contou o titular da equipe, que pode jogar no Milan em uma transação envolvendo a volta de Robinho para o Peixe.

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Rafael ainda agradeceu sua permanência na posição de goleiro a um antigo treinador.

- Depois, quando eu tinha uns sete, oito anos, eu quis parar. Eu reclamava dizendo que os chutes eram muito fortes. Mas o treinador não deixou que eu desistisse, me orientou e hoje estou aqui – recordou.

Após os treinos em dois períodos neste sábado – pela manhã, na Gávea e, à tarde, na Escola de Educação Física do Exército, na Urca -, onde realizou trabalhos técnicos e táticos, a seleção brasileira faz, neste domingo, o último apronto antes da viagem para Londres, marcada para segunda-feira.

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