
Após participar por vídeo do lançamento da equipe Caloi LiveWright, em abril, o técnico inglês Simon Jones enfim veio ao Rio assumir o cargo de supervisor internacional do projeto. Com previsão de ficar na cidade por duas semanas e participar de clínicas de treinamento com os atletas, o britânico, que levou Grã-Bretanha e a Austrália a 12 medalhas olímpicas, se disse surpreendido com a estrutura do time, mas projetou resultados apenas para 2020.
- Resultados em 2020, com certeza, se eles continuarem recebendo esse apoio. Para 2016 seria um sonho e precisamos sonhar, claro, mas as coisas não acontecem do dia para a noite. É preciso tempo, investimento. Os treinadores e atletas ainda têm muito para aprender e desenvolver nesse tempo - clinicou o técnico, que já trabalhou com atletas como Mark Cavendish, atual campeão mundial de ciclismo de estrada, e Bradley Wiggins.
Simon admitiu que não esperava encontrar a equipe com uma estrutura tão boa de trabalho e destacou o apoio recebebido pelos atletas, que vão desde uniformes, treinos, equipamentos e pista, à moradia e comissão técnica especializada. Para o inglês, esses são os principais ingredientes para alcançar os resultados no ciclismo.
- A chave aqui é o apoio aos atletas. Não há segredo para o sucesso. O país vê potencial em você e investe. Então, não é uma questão apenas de pessoas, mas de sistema, estrutura. É preciso iniciativa, inspirar os atletas para buscarem o melhor que eles podem ser. O projeto aqui começou bem - avaliou o consultor internacional da equipe.
Com passagens pelos times britânico e australiano, que conquistaram seis medalhas olímpicas cada, em Atenas 2004 e Pequim 2008, respectivamente, Jones lembrou que seu papel no período em que estará ao lado da equipe é orientar os treinamentos, tirar dúvidas. Com 20 anos de experiência, ele elogiou a pista do velódromo carioca e se colocou à diposição dos ciclistas.
- Estou aqui para compartilhar com eles minha experiência. Meu papel aqui é ajudar, responder perguntas e passar informações. Queria passar isso para eles e ajudar nesse processo. A pista aqui está em plenas condições. Na verdade, é bem parecida com uma pista lá em Perth, na Austrália. Mesmo que construam outra para 2016, seria interessante manter essa para treinos. Até porque, se acabam com ela, ninguém vai ter onde treinar - comentou Jones.
Clínica simula condições de corrida e usa tecnologia para medir performance
A equipe Caloi LiveWright treinou, excepcionalmente, nesta terça-feira diante da imprensa, convidada para observar o trabalho de Simon Jones. Antes de conceder entrevista, o britânico participou ativamente do treino, orientando sobre o tempo dos atletas, as pedaladas em cada trecho da pista e velocidade de volta. O destaque ficou com uma análise de vídeo, usada após a volta para detectar pequenas falhas no trajeto.
- Hoje (terça-feira) fizemos essa marcação dos tempos e depois analisamos o vídeo das imagens para fazer correções. É um trabalho essencial esse - explicou Jones, que fica no Rio até 15 julho, quando acompanha a Copa Rio de Pista, também no velódromo.
A presença de um treinador renomado e com longo currículo olímpico animou os atletas da equipe carioca. Uma das poucas mulheres do time, Hiyrah Tiemann ressaltou a importância de Simon Jones para o projeto.
- Representa uma aprendizagem enorme, uma pessoa que já treinou diversos times olímpicos, atletas conhecidos. Estamos com uma ótima chance de poder aprender muito na parte técnica com esses treinamentos. Além disso, a estrutura desde o lançamento é a mesma e com os treinos diários a gente tem desenvolvido muito bem - concluiu a atleta.
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