
Com a seleção feminina na Granja Comary, em Teresópolis, para o último período de treinos antes dos Jogos Olímpicos, o AHE! visitou a sede da CBF e conversou as atletas sobre os ajustes finais para os Jogos Olímpicos. A atacante Cristiane lamentou que a preparação brasileira não seja por ciclo, como nas demais equipes que vão brigar pelo ouro em Londres.
- As seleções americana e japonesa já vêm trabalhando há quatro anos para jogar essa Olimpíada. A nossa seleção, infelizmente, sempre acaba fazendo a preparação quatro meses antes da competição. Isso é muito difícil, porque você tem que correr contra o tempo. Às vezes você pega uma jogadora que o clube não te dá o suporte, ou outra que está parada porque não tem clube, então é complicado - analisou a atacante brasileira.
Cristiane lembrou que outras equipes focam sua preparação por ciclos, de maneira que ao fim de cada competição já se iniciam os trabalhos para a seguinte, mas evitou criticar o cronograma brasileiro. Eleita duas vezes a terceira melhor jogadora do planeta pela FIFA, a atleta joga hoje na Rússia, no Rossiyanka, e por isso não esteve presente nas convocações de janeiro e março, quando a equipe do técnico Jorge Barcellos se reuniu na serra fluminense para as primeiras etapas da preparação.
- Eu espero que depois desse ciclo - e é claro que é importante a gente trazer um bom resultado -, essas convocações tenham continuidade para daqui a quatro anos. Para no próximo Mundial ser melhor do que foi no ano passado, para na próxima Olimpíada, que é no Brasil, em 2016, a gente poder demonstrar realmente o que é o futebol brasileiro - explicou a jogadora, que deve ser nome certo na lista final do Brasil para os Jogos de Londres.
Correndo contra o tempo, seleção faz jogo-treino com time masculino
Correndo contra o tempo, o técnico Jorge Barcellos, que define no próximo dia 29 as 18 jogadoras que vão representar o país em Londres, realizou um jogo-treino na última sexta-feira contra o time masculino sub-15 do Audax-RJ. Desde 4 de junho na Granja Comary com as outras 24 pré-convocadas para a seleção feminina, Cristiane aprovou o amistoso contra os meninos e elogiou o trabalho da comissão técnica.
- Quem estava de fora e não esteve nas outras convocações está um pouquinho atrás das outras meninas ainda, justamente por falta desse trabalho, de um trabalho bom. A gente sabe que aqui tem esse trabalho, então precisamos aproveitar o máximo possível esse período e ganhar o que for preciso para tentar nivelar com o grupo todo - contou a bicampeã pan-americana (2003 e 2007).
Segundo a atacante, o jogo contra um time masculino representa uma boa chance da equipe trabalhar fundamentos importantes, como velocidade, movimentação, marcação, controle e toque de bola. Cristiane avalia que nesses jogos são feitas as principais correções antes das competições, como saber suportar a pressão do time adversário.
- Eles são mais fortes, mais rápidos, então isso é importante para gente poder ganhar num jogo de corpo, por exemplo. Acho que é importante a gente sempre estar fazendo jogos contra os meninos antes das competições, para poder ter esse ganho e poder corrigir todos os erros que a gente vem cometendo - concluiu a atacante.
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