Carlos Eduardo Novaes

Flamengo campeão!!

Rubro-negro volta a conquistar o título do Maria Lenk após dez anos de jejum
02/05/2012 08:56 - Atualizado em 02/05/2012 09:00
Por Carlos Eduardo Novaes
RIO

Não sei se as arquibancadas do Parque Aquático Maria Lenk no Rio ficariam tão cheias caso o futebol do Flamengo não estivesse de "férias". Um amigo rubro-negro que nunca havia visto uma prova de natação na vida esteve lá no sábado à noite, último dia de competição, e me disse:

- Fui porque sem o futebol eu precisava despejar essa energia de torcedor que se acumula em meu peito em algum outro esporte. Valeu a pena, cara. O Flamengo foi campeão – e ele soltou seu urro: – Mengoooooo!

Não tenho duvidas de que a presença da torcida rubro-negra foi fundamental para que o Flamengo conquistasse o troféu Maria Lenk. Como afirmou meu amigo, "foi quase uma final decidida nos pênaltis". Uma disputa ponto a ponto com o Pinheiros, que até a véspera, sexta-feira, estava liderando a competição. No sábado, porém, o Flamengo, empurrado por seus órfãos do futebol, virou o jogo, venceu quatro das oito provas do programa, ultrapassou o Pinheiros e botou a mão na taça, algo que não acontecia há dez anos. O Pinheiros ficou em segundo e o Corinthians, carregado nas costas por Thiago Pereira, em terceiro. Somente Cesar Cielo, nadador rubro-negro, abiscoitou cinco ouros!

A maior – e mais comovente – surpresa do troféu ficou por conta de Fabíola Molina, do Minas Tênis. Ela esteve ausente das competições durante seis meses e teve seu índice para Londres – conquistado ano passado – anulado por doping. Pois Fabíola, com seus 37 anos de idade, – podia ser mãe de algumas adversárias –, caiu na piscina, tornou a superar o índice olímpico (1m00s74 nos 100m costas) e arruma as malas para participar de sua terceira Olimpíada (esteve em Sidney 2000 e Atenas 2004).

Ao lado de Fabíola, outros três nadadores conseguiram o índice para os Jogos: Daniel Orzechowski (100m costas), Tales Cerdeira, que pegou a segunda vaga nos 200m peito, e Felipe Lima, que havia perdido a vaga para João Junior em outra competição e recuperou-a no troféu Maria Lenk. Por enquanto, a natação brasileira tem 16 atletas na fila de embarque para Londres e ainda uma vaga no revezamento 4x100 livre. A seleção definitiva só será conhecida entre os dias 9 e 12 de maio, quando da realização da chamada Tentativa Olimpica, ultima chamada para os atletas que ainda correm – ou nadam – atrás do passaporte para Londres.

Aqui abro um parêntesis para informar quem foi a mulher que dá nome ao Parque Aquático do Rio de Janeiro. Tanto meu amigo que nunca assistiu a uma prova de natação como outros rubro-negros que só freqüentam estádios de futebol, imaginavam que Maria Lenk fosse uma professora de renome ou – como disse o amigo – uma heroína da Guerra do Paraguai. Devo dizer que Maria Lenk, cujo nome de batismo era Maria Emma Hulga Lenk Ziegler, filha de alemães, foi a maior nadadora brasileira de todos os tempos. Em 1939, bateu dois recordes mundiais – 200m e 400m peito –, e estava prontinha para conquistar o ouro olímpico no ano seguinte quando a Segunda Guerra Mundial cancelou os Jogos de 1940, em Tóquio. Maria Lenk não deve ter ficado muito satisfeita com seus conterrâneos...

Patrícia Amorim também não deve ser esquecida. Ex-nadadora do Flamengo, atual presidente do clube, se empenhou a fundo para formar uma grande equipe de natação e viu seu trabalho recompensado com a conquista do titulo. Patrícia foi 28 vezes campeã brasileira nos 200m, 400m, 800m, e 1500m livres. Em 1988, quebrou a ausência de 16 anos da natação brasileira em Olimpíadas ao participar dos Jogos de Seul. Não chegou às finais, mas estabeleceu os recordes sul-americanos dos 200m e 400m livres.

Ao ler este texto e tomar conhecimento do histórico de Patrícia no Flamengo, meu amigo resmungou:

- É uma pena que ela não tenha sido jogadora de futebol...



Leia as crônicas anteriores de Carlos Eduardo Novaes:

Canoagem, uma aventura nas corredeiras 

Futebol e voleibol, o encontro


Ginástica, o esporte incompreendido 

Um salto para Londres


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Esgrima, um esporte de combate

O eterno Hoyama

Deu samba no adestramento

Os ornamentais dos saltos

Ciclismo, a roda nas Olimpíadas

Vela, o esporte das medalhas

Mayra Aguiar, do tatame ao pódio

A longa final

O vôlei nosso de cada dia

As baixinhas da ginástica

Maratona, a prova maior

Londres à vista!

Tiro e queda

Basquete, um jogo por encomenda

Salto com vara, curta!

Golfe, o retorno

Handebol, o avesso do futebol

Remo, uma antiga paixão

Tênis, o jogo dos reis

Vôlei: um jogo para senhores?

Quem inventou o esporte?

O grito olímpico   

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Carlos Eduardo Novaes
Escritor, jornalista, dramaturgo etc.

Visão muito peculiar dos esportes olímpicos de um dos mestres da literatura brasileira