Performance

Dedicação à base para a formação de atletas no hóquei sobre grama

Técnico argentino trocou equipe adulta pelo treinamento com a base para aplicar os fundamentos e difundir o esporte nas escolas
11/03/2012 10:22 - Atualizado em 11/03/2012 10:59
Por Natália da Luz
Rio

Crescer com segurança e saúde é o caminho de sucesso que todos os esportes buscam trilhar, mas de nada adianta insistir nessa busca se a estrutura não estiver bem trabalhada, solidificada. A constatação fez com que um amante e especialista do hóquei sobre grama trocasse o treinamento com a equipe adulta pela equipe de base, que aprende uma nova regra, uma nova particularidade a cada treino. 

 
- Eu vim para o Brasil e comecei a trabalhar com os adultos em 2000, 2001 e 2002. Aí percebi que era difícil de ensinar, que o desafio com o esporte seria muito maior porque você precisa começar de baixo para cima. A gente tem um momento mais oportuno para formar os atletas - conta em entrevista ao AHE! o argentino Eduardo Righi, ex-técnico da seleção brasileira adulta, que nasceu em um país com tradição no esporte e que esbanja respeito mundial na modalidade. 

 

 

A Argentina tem orgulho por ter Luciana Aymar, eleita a melhor jogadora de hóquei sobre grama do mundo por sete vezes. Ter um talento do esporte tão perto do Brasil ajuda a despertar o interesse e facilita a troca entre as equipes. Para Eduardo, que hoje treina as mais jovens, assim como seus conterrâneos, o brasileiro tem o biótipo perfeito (com força e consistência), absolutamente apropriado para a prática do hóquei sobre grama.

 

- Além do biótipo, o mais importante é o treino que envolve aspectos físicos, táticos, estratégicos e psicológicos também. E tudo isso a gente absorve na base, por isso o nosso foco é na escola, é levar para as instituições de ensino brasileiras o esporte e a oportunidade de o hóquei mudar a vida dessas meninas - explica, destacando que a melhor idade para o ponto de partida seria os oito anos. Para ele, quanto mais cedo, maiores são as chances de o atleta conseguir deixar a sua marca no esporte e de garantir os estudos. 

 

Eduardo reforça a questão da educação porque o hóquei sobre grama abriu muitas portas (das salas de aula). Graças ao esporte, muitas meninas  conseguiram bolsas em instituições de ensino reconhecidas e pelas quais disputam o Intercolegial, torneio entre as escolas do Rio de Janeiro que expôs jovens talentos do esporte como Alice Aparecida, que já foi chamada para a seleção brasileira.

 

Alice Aparecida é uma das revelações do hóquei sobre grama - AHE!Alice não chega atrasada, tampouco perde um treino do Deodoro, clube que defende. Ela age com determinação, com foco de atleta madura que sonha, vibra e respira o esporte. O reconhecimento vindo da convocação é mais um empurrão para o norte de Alice. 

 

- Eu achei um esporte diferente, que quase ninguém conhecia, nem praticava. Mas, logo de início, eu gostei e apostei - conta a melhor jogadora da equipe (indicada pelas próprias colegas), que também não deixa de lado o treino na escola: 

 

- As oportunidades estão vindo e aparecendo para mim, e se houver chance de seguir e crescer no esporte, eu não tenho dúvida de que vou continuar. Eu amo o hóquei.


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