Tênis de mesa

Ancestrais inspiram equílibrio na vida pessoal e esportiva de Caroline Kumahara

Atleta mais nova da seleção brasileira largou os estudos para se dedicar a modalidade
05/03/2012 08:30 - Atualizado em 27/07/2012 16:09
Por Francisco Junior
RIO

A caçula da seleção brasileira feminina de tênis de mesa, Caroline Kumahara, de 16 anos, é também a mais nova de uma família com muita tradição oriental. A jovem atleta é filha de pai japonês e mãe brasileira, que nasceu em Presidente Venceslau, mas é descendente de japoneses. Apesar de ter viajado para o país asiático apenas uma vez, quando foi disputar o Mundial Junior da modalidade, Caroline adora a culinária de seus ancestrais. Além disso, ela aponta o respeito à família e a harmonia no seu dia-a-dia como outros pontos que procura seguir. Com isso, ela acredita encontrar um equilíbrio para a vida pessoal e esportiva.

- Minha família segue a cultura tradicional do Japão. Meu pai veio muito cedo para o Brasil, mas ele tem o estilo muito japonês. A minha convivência com eles e com outros descendentes de orientais foi moldando minha vida – contou Caroline.

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Entre parentes brasileiros e japoneses, Caroline é a mais nova. Familiares, que ainda não a conheciam, foram ao local de competição para conhecer a atleta. Se no Brasil a caçulinha já gosta de frequentar restaurantes japoneses, o evento esportivo foi ideal para aproveitar ainda mais a culinária.

- No Mundial tinha uns parentes que eu nunca tinha visto. Foi engraçado, mas foi legal! Em casa, minha mãe está sempre fazendo uns pratos japoneses. Claro que nós não comemos somente isso. Comemos as comidas normais: bife, peixe grelhado. Mas, sempre tem sushi, sashimi. Gosto muito de ir a restaurantes japoneses. Gosto de comer hossomaki, temaki, essas tradicionais – disse, com jeito de quem gostaria de estar se deliciando naquele momento.

Do futsal para o tênis de mesa

Na família Kumahara, em meio a outros quatro irmãos, Caroline foi a única a optar pelo tênis de mesa. Talvez incentivada pelos dois homens, que jogavam futsal, ela treinou por algum tempo a modalidade. Porém, seu pai queria um esporte individual. Com apenas 9 anos, a menina segurou a raquete e foi definindo o rumo esportivo que sua vida seguiria.

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Antes de começar no tênis de mesa, Caroline Kumahara praticou futsal - Divulgação/CBTM


- Minha família é bem ligada ao futebol. Mas, meu pai não queria que eu seguisse em um esporte coletivo, ele queria que eu dependesse apenas de mim. Então, ele me levou em uma escolinha de tênis de mesa perto de onde trabalhava. Nossa família tinha se mudado de um apartamento para uma casa, e compramos uma mesa para jogarmos. Então, comecei a bater bola, fui me dedicando e não quis parar mais.

O exemplo no tênis de mesa dentro de casa, mesmo que sem muito glamour, veio de um primo e um tio.

- Na minha família, apenas o meu tio e meu primo jogavam tênis de mesa, mas não eram de seleção. Jogavam bem, mas naquela época não tinha muito apoio ao esporte. Com isso, meu tio, que entre os dois era o melhor, deixou a modalidade para trabalhar.

Caroline tem uma rotina pesada de treinos. São duas sessões técnicas, somando cinco horas, mais duas de musculação, de segunda a sexta. Com foco total no esporte, a paulista parou de estudar no ano passado.

- Conversei com minha família e meu técnico, que me apoiaram muito. Não dava para esperar passar o Pan (Guadalajara) para eu decidir. Então, deixei os estudos no meio do segundo ano. Foi uma decisão em conjunto. E, para mim, isso foi muito importante. No esporte é tudo para agora, é o momento – encerrou.

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