Performance

A maturidade da Ginástica Artística

Especialista destaca que o sucesso da modalidade é resultado de décadas de muito esforço. Para ele, o próximo salto será em Londres
08/02/2012 18:04 - Atualizado em 08/02/2012 18:14
Por Marco Bortoleto
São Paulo - SP

O colunista Marco Bortoleto, especialista em Ginástica Artística

Marco Bortoleto é graduado em Educação Física pela Universidade Metodista de Piracicaba, mestre em Educação Física pela UNICAMP e doutor pela Universidade de Lleida, na Espanha. É professor visitante/convidado na Universidad A Coruña (Espanha) e professor do Departamento de Educação Física e Humanidades (DEFH) da Faculdade de Educação Física da UNICAMP.


Ao contrário dos anos anteriores, janeiro foi um mês intenso na agenda brasileira de Ginástica Artística. Durante vários dias, os ginastas brasileiros lutaram ponto a ponto no evento TESTE em Londres pela classificação das equipes para os Jogos Olímpicos de Londres 2012.


Seleção Masculina durante treinamento  - AHE! João LindguitonNo feminino, o grande objetivo foi alcançado e, apesar de muitas dificuldades, veremos uma equipe completa em Londres. Nesses meses, os técnicos trabalharam para aprimorar os exercícios, buscando notas de partida ainda melhores e maior eficiência e regularidade na execução, que podem resultar numa boa colocação na competição por equipes. Já no individual, as esperanças repousam em Jade Barbosa, especialmente na prova de salto, e, quem sabe, no ressurgimento de Daiane dos Santos no solo.


Porém, foi a disputa pela vaga na categoria masculina que mais nos chamou a atenção. Além do Brasil, países com tradição na modalidade estavam na disputa por uma das quatro vagas para Londres. Infelizmente, a ausência de Vitor Camargo e de Diego Hypólito foi decisiva, e lamentavelmente não conseguimos o objetivo maior: classificar a equipe.


Contudo, os muitos anos de intenso trabalho e a dedicação exclusiva dos ginastas e de seus treinadores foram recompensadas, parcialmente, com a possibilidade de levar mais um ginasta. Assim, além de Diego Hypólito e Arthur Zanetti, que obtiveram a classificação no campeonato do Japão, agora o Brasil poderá selecionar mais um ginasta para representar o país no maior de todos os eventos esportivos.


Crescimento e aprendizado na modalidade



Renato Araújo e Arthur Zaneti durante o treino - João Lindguiton - AHE!E esta conquista não vem isolada, nem muito menos é fruto do acaso. E isso, posso afirmar com conhecimento de causa, pois levo muitos anos pesquisando a Ginástica Artística Masculina e acompanhando o desenvolvimento dos ginastas, técnicos, árbitros e clubes brasileiros. Na última rodada, vimos um constante crescimento da modalidade, com melhores resultados internacionais que revelam a maior qualidade do trabalho desempenhado pelos treinadores brasileiros, apesar das muitas dificuldades que ainda assolam a ginástica de alto rendimento.


Um exemplo notório foi o vice-campeonato mundial conquistado por Arthur Zanetti, que magistralmente repetiu uma nova grande exibição no evento teste de Londres, conquistando a medalha de ouro, a frente de excelentes ginastas.


Certamente, ainda temos muito que aprender sobre esta secular modalidade desportiva, porém não restam dúvidas de que nossos treinadores fizeram, e muito bem, seu trabalho. Assim, falta apenas mais rigor e serenidade político-administrativa para manter nosso país rumo às novas conquistas, quem sabe, Olímpicas!

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