Canoagem

Ronilson e Erlon comemoram parceria de dois anos que já rendeu vaga olímpica inédita

Canoístas serão os primeiros brasileiros da história a disputar os Jogos na categoria C2 1000m
05/02/2012 08:50 - Atualizado em 05/02/2012 16:07
Por João Lidington
Rio

Presente: Dupla celebra parceria de dois anos com vaga olímpica - João Lidington/AHE!Dois anos de parceria e a vaga olímpica para Londres assegurada. Muitos são os motivos para os canoístas Ronilson Matias, de 21 anos, e Erlon Souza, de 20, comemorarem em 2012. Juntos há pouco tempo no esporte e oriundos de estados distintos, a dupla celebra a união vitoriosa com exaustivas horas de treino para continuar fazendo história na canoagem do Basil. Afinal, os dois atletas serão os responsáveis pela primeira participação do país na categoria C2 1000m dos Jogos.

Suas vidas foram cruzadas graças ao treinador Pedro Sena. Foi o atual técnico da seleção nacional que promoveu o encontro da dupla em suas aulas, realizadas na Asssociação dos Funcionários da Cosipa (AFC), em São Vicente (SP). Ronilson começou na modalidade aos 13 anos e teve que contar com a ajuda de Pedro para pagar as mensalidades das aulas de R$20. Enquanto isso, durante a edição do campeonato brasileiro de 2008, Erlon foi convidado pelo comandante a integrar sua equipe e deixou para trás a família na pequena cidade de Ubatã, na Bahia. No entanto, só em 2010 que o baiano e o paulista passaram a remar juntos num mesmo barco. Uma ideia que surgiu pela carência brasileira na categoria C2.

-Nosso C2 era formado pelo Vladimir Moreno e Vilson Conceição, mas por problemas pessoais o Vilson teve que desfazer a parceria. Então tivemos dois meses para encontrar uma nova dupla a tempo de disputar os Jogos Sul-Americanos na Colômbia. Era pouco tempo, mas logo que botamos os dois juntos, estava na cara que ia dar certo, pois eles se completam e têm a coordenação das remadas muito parecidas – destacou o treinador.

O primeiro ano da parceria ocorreu ainda no litoral paulista, mas foi no Flamengo que a carreira dos canoístas tomou rumos ainda mais vitoriosos. Vestindo a camisa rubro-negra, os dois apareceram no cenário mundial na Copa do Mundo de Racice, na República Tcheca, em maio de 2011, onde alcançaram a final A da prova. A coroação da rápida projeção veio nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara. No México, a dupla brasileira surpreendeu os rivais canadenses e conquistou a medalha de prata, que carimbou o passaporte olímpico para Londres.

Lembrança dos campos de pelada com Neymar

- No começo foi aquele suspense, porque chegou todo mundo junto. Quando eu olhei o “BRA” de Brasil no telão eu não acreditei, porque, de repente, estávamos em segundo lugar. Chegamos a nos emocionar muito na hora e agradecemos a Deus por isso – contou Erlon.

Ao lembrar o fato histórico, o técnico Pedro Sena também não conteve as lágrimas. 

Ronilson e Erlon com o treinador Pedro Sena - João Lidington/AHE!- Quando saiu lá no placar o nome deles... Foi emocionate. Eu que vi o Ronilson, por exemplo, sair do nada e vencer graças à sua força de vontade. Não dá para mensurar o que é para a gente estar nos Jogos Olímpicos – complementou.

Motivo de orgulho para o treinador, Ronilson por pouco não trocou a canoagem pelo futebol. Ainda na infância, o menino participava de campeonatos de várzea em São Vicente e tinha um adversário ilustre nos campinhos de terra batida.

- Eu não era tão bom assim com a bola nos pés. Então resolvi partir para a canoa, pois via os mais velhos praticarem no Canal dos Barreiros. Só que cheguei a jogar futebol com o Neymar. Ele morava no mesmo bairro que eu e nos enfrentávamos. O cara era bem magrinho, mas tinha mais habilidade que eu – brincou o rubro-negro.

Longe dos holofotes do futebol e sem patrocinador, Ronilson não tem as mesmas mordomias que o antigo rival de peladas. O canoísta divide apartamento no Leblon com Erlon e mais três atletas graças à ajuda financeira da Confederação Brasileira de Canoagem. Apesar das dificuldades para se manter brilhando na água, a dupla do C2 1000m do Brasil segue sua trajetória sem olhar para trás e remando juntos rumo a Londres e a mais um feito inédito: uma final olímpica.


compartilhar no