Jogo de rede

O dia em que o tênis superou o futebol, o basquete e a Fórmula 1

Quem não viu a final do Australian Open perdeu um show de técnica, raça, tática, concentração, profissionalismo, preparo físico e amor pelo esporte
30/01/2012 13:18 - Atualizado em 30/01/2012 13:39
Por Daniel Costa e Silva
RIO

Daniel Costa e SilvaQuem não viu, perdeu. Novak Djokovic e Rafael Nadal, os maiores jogadores de tênis da atualidade, deram um show de técnica, raça, tática, concentração, profissionalismo, preparo físico e amor pelo esporte durante a final do Australian Open, que se estendeu por 5h53m e foi, até hoje, a mais longa da história de um Grand Slam. Durante toda a manhã de domingo, o tomá-lá-dá-cá entre esses dois monstros dominou as discussões nas redes sociais.  Mesmo depois de encerrada, a decisão continuo dando o que falar, fosse no Twitter, no Facebook, ou num bate-papo informal. E o futebol, como nos tempos de Ayton Senna e Gustavo Kuerten, não reinou sozinho como tema central das resenhas esportivas dominicais.

Djokovic explode após histórica vitória - RYAN PIERSE / POOL / AFPClichês à parte, a final em Melbourne não merecia um vencedor apenas. Novak Djokovic, número 1 do mundo e agora tricampeão do Australian Open (2008, 2011 e 2012), levou o troféu, mas por um detalhe. Uma bola que caiu 1cm para fora, ou 2cm para dentro. Quis o destino que o sérvio, de golpes exuberantes e técnica refinada, triunfasse diante de torcedores já sem fôlego na Rod Laver Arena. Mas o título ficaria igualmente bem na vasta galeria de Nadal, um guerreiro que simplesmente se recusa a entregar um ponto. Se a gente pudesse escolher, eles estariam até agora trocando bolas...

Uma batalha como aquela não poderia mesmo passar em branco. No dia seguinte, alguns jornais influentes do país se renderam, abrindo espaço na capa de seus respectivos cadernos esportivos (que 99% das vezes trata de futebol) para falar de um jogo histórico. Merecido. Não houve gol, cesta, ou bloqueio mais importante no domingo, dia nobre do esporte.

A temporada está só começando, e a minha torcida é para que o tênis continue encantando, emocionando, e angariando fãs no Brasil e no mundo. Sobram ingredientes. Ou melhor, Craques, com "c" maiúsculo. A safra atual com Djokovic, Nadal, Roger Federer (pra mim, o melhor de todos os tempos) e Andy Murray é privilegiada. Em breve, muito em breve, teremos outros embates como o de Melbourne. E você, vai continuar perdendo?

* Daniel Costa Silva é editor de esportes do Portal AHE!

compartilhar no