Vôlei

Bernardinho sintoniza na essência e utiliza observação como método de trabalho

Em entrevista exclusiva ao AHE!, treinador conta sobre Superliga e expectativa aos Jogos de Londres
24/01/2012 08:00 - Atualizado em 24/01/2012 17:24
Por Bernardo Feital
RIO

Bernardinho deu entrevista exclusiva ao AHE! - Alexandre Arruda/CBVSob seu olhar, um caleidoscópio de percepções. Seja na intensidade dos gestos durante uma partida ou na serenidade nos treinos, Bernardinho tem um radar pulsando em si. Sintonizado na essência, o poder de observação do treinador do Unilever e da seleção masculina de vôlei é diferenciado e salta aos olhos em apenas 20 minutos de análise criteriosa.

Durante mais um treinamento do time carioca, nesta segunda-feira, ele consegue mostrar sua habilidade, sensibilidade e rapidez de pensamento em pequenas atitudes. As feições são fortes e analíticas, seja para uma distribuição de bolas, em um riso e uma brincadeira com os jornalistas, ou na educação de “um toque” singelo para Mari, corrigindo sua maneira de recepcionar a bola.

Após mais um dia de trabalho, o técnico concedeu uma entrevista exclusiva ao AHE!, falou sobre o desafio de defender o título brasileiro da Superliga e de mais um ciclo olímpico na carreira.

De pé, sem ao menos cogitar a cadeira posicionada há cinco metros de distância, seu discurso fluiu em um ritmo rápido, constante e ininterrupto, bem como linhas de um livro de José Saramago. Na conversa, contou as expectativas e preocupações de um ano repleto de competições importantes.

A partir desta terça e nos próximos dois dias, Bernardinho terá espaço de destaque no AHE! e abrangerá assuntos sobre seleção brasileira, Superliga e sua carreira e método de trabalho.

Capítulo 1 – Essência e método de trabalho

AHE!Medalhista olímpico como jogador e treinador das duas seleções. Existe mais alguma coisa para almejar na carreira?

B – Sempre entro em quadra com a alegria do que estou fazendo. Enquanto assim for, estarei exercendo minha profissão. Gosto de vir treinar, jogar, sinto vontade e prazer no que faço. Enquanto me permitirem realizar isso, vou fazer a minha parte.

AHE! - Diferenças entre treinar um time feminino e masculino são evidentes ou você não vê tanta variedade?

Bernardinho tenta mais um título pelo Unilever - Adoro FotoB – De uma forma geral é bem parecido e já tenho a experiência necessária nos dois planos. Claro que em alguns detalhes, principalmente na área do emocional, o cuidado é maior pelo lado das mulheres. Temos também algumas variações na parte tática.

AHE! - Decepções são comuns em carreira de qualquer profissional. Você tem alguma que determinou a sua trajetória?

B – O choque de egos é uma linha muito tênue e trabalhar com pessoas sempre será muito complicado. Movidos por um conhecimento, as pessoas, às vezes, não sabem medir e alinhar as suas vaidades. Todos possuímos o nosso ego, mas temos de saber respeitar um ao outro. Nesse quesito sempre é delicado.

AHE! - Nas partidas, você deixa a emoção fluir e nos treinos adota uma postura mais serena. Existe uma transformação quando você está dentro de quadra?

B – Dependendo do treinamento, também sou bem enérgico, mas consigo variar. De fato, eu deixo as emoções transbordarem nos jogos e por minhas feições e atitudes tudo fica transparente. Mas isso não tem relevância: é muito mais forma do que essência.

 


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