Mesmo dependendo única e exclusivamente da verba da Lei Agnelo Piva para se manter, a Confederação Brasileira de Pentatlo Moderno (CBPM) vai fazendo um trabalho renovador, que tem rendido frutos para o país. Seja na categoria principal, com Yane Marques, ou nas inferiores, com William Muinhos e Amanda Turute, o Brasil está bem representado nas provas da modalidade, que englobam esgrima, natação, hipismo, corrida e tiro. E o desenvolvimento não para por aí. Crianças e adolescentes, que antes passavam longe do esporte, já procuram conhecê-lo. Assim, a CBPM vai plantando sementes na base para colher bons frutos no futuro.
- Todo o pentatlo moderno, incluindo material dos atletas, viagens e competições, é financiado pela Confederação. Não há patrocínio. Nós temos um projeto aprovado, mas não conseguimos a captação. Falta uma empresa que se envolva com o esporte e banque o projeto – explicou Celso Sasaqui, vice-presidente da CBPM.
Vídeo: A formação da nova geração de pentatletas
Durante muito tempo, o pentatlo esbarrou em um modelo de desenvolvimento ultrapassado, que consistia em utilizar apenas os militares que saíam da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), para praticar o esporte. Quando uma nova diretoria assumiu a Confederação, uma das propostas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) era de que fosse realizado um investimento na base.
- Esse novo trabalho teve início em março de 2009, com a nova diretoria da Confederação. Resolvemos partir para a formação completa do atleta, investir na base. Até então, não existia esse processo no Brasil. Passamos a fazer um trabalho de formação que ensinasse desde a natação até o hipismo, a mais complicada das modalidades – disse o vice-presidente, que não fica restrito aos trabalhos administrativos e põe a mão na massa ajudando no treinamento de tiro.
Cerca de 200 atletas de pentatlo moderno no Brasil
Teve início, então, o Projeto Penta Jovem, que começou com dois pólos: um no Rio de Janeiro e outro em Pernambuco. Com os bons resultados e o aumento de praticantes – atualmente, há cerca de 200 atletas de pentatlo no Brasil -, outras regiões também se animaram a desenvolver o esporte. Em Indaiatuba, interior de São Paulo, na AMAN, e em Porto Alegre, no Colégio Militar, há projetos embrionários para a realização da modalidade. A ideia é diminuir o atraso em relação a outros países que historicamente investem na base, como Hungria, Bielorússia, Rússia, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Japão.
- Temos crianças que começaram com oito anos. Há também alguns mais velhos que iniciaram com 17. Já recebemos crianças que não sabiam nadar e elas foram se desenvolvendo. Nossa previsão era de oito anos para a formação de um atleta. Mas nossas esperanças cresceram. Muitos atletas se desenvolveram rapidamente – comentou Sasaqui.
Conquista de William Muinhos vira exemplo
Para comprovar que os bons resultados estão sendo conquistados e que realmente uma nova geração está sendo formada, o coordenador técnico do Projeto Penta Jovem no Rio de Janeiro, Fábio Corrêa, citou o feito de William Muinhos, de 18 anos, no Campeonato Mundial Júnior, realizado na Argentina.
- Ele competiu em uma categoria acima da sua e foi o primeiro homem brasileiro a conquistar um lugar em uma final – lembrou Fábio Corrêa.
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Além de visar conquistas, Fábio tem outro interesse com o surgimento de novos talentos. Para o treinador, quando não há renovação, os atletas da categoria adulto ficam acomodados.
- Tendo uma molecada que vem nervosa, como está acontecendo, o adulto se mexe, sai da zona de conforto e volta a treinar em alto rendimento. Essa também é mais uma de nossas intenções – finalizou Fábio Corrêa.
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