Resenha paraolímpica

Brasil é campeão parapan-americano

País fica no topo do quadro de medalhas em Guadalajara
21/11/2011 01:14 - Atualizado em 30/11/2011 23:41
Por Paulo Vitor Ferreira
RIO

Paulo Vitor FerreiraMeu nome é Paulo Vitor Ferreira. Sou produtor da TV Record. Fui comentarista do SporTV e colunista do Lance! durante os Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008. Trabalhei também na TV Brasil e no Jornal dos Sports. Já escrevi em sites e revistas especializadas em esportes adaptados. Fiz a cobertura de eventos paraolímpicos importantes, como o Parapan do Rio, em 2007.

O Brasil é uma potência paraolímpica. A frase pode parecer um tanto exagerada, mas não é. Os resultados de quatro anos para cá mostram que o desporto adaptado no país já está em um processo avançado de evolução. Os brasileiros ficaram na frente no ranking do Parapan do Rio de Janeiro, em 2007, e colocaram o país na nona colocação nos Jogos de Pequim, um ano depois. O verde-e-amarelo superou todos os concorrentes no México.

Os números são impressionantes. Foram conquistadas pelos ‘brasileños’ em Guadalajara 197 medalhas, sendo 81 de ouro, 61 de prata e 55 de bronze. Os Estados Unidos ficaram na segunda colocação, com 132 no total (51 ouros, 47 pratas e 34 bronzes). O México terminou na terceira posição, com 165, mas com um ouro a menos (por esse motivo ficou atrás), 60 pratas e 55 bronzes. Cuba terminou no quarto lugar, com 54 (27 ouros, 16 pratas e 11 bronzes) e a Argentina ficou na quinta colocação, com 19 medalhas de ouro, 25 de prata e 31 de bronze. O Canadá, uma potência nos esportes olímpicos e próxima sede dos Jogos (Vancouver-2015), assegurou apenas a oitava posição, com 13 ouros, 22 pratas e 28 bronzes.

Quadro de medalhas final do Parapan de Guadalajara

Pos.País 
Bandeira do BrasilBrasil 81 61 55   197
Bandeira dos Estados UnidosEstados Unidos 51 47 34   132
Bandeira do MéxicoMéxico 50 60 55   165
Bandeira de CubaCuba 27 16 11   54
Bandeira da ArgentinaArgentina 19 25 31   75
Bandeira da ColômbiaColômbia 18 23 13   54
Bandeira da VenezuelaVenezuela 16 14 18   48
Bandeira do CanadáCanadá 13 22 28   63
Bandeira da JamaicaJamaica 1 4 0   5
10º Bandeira do ChileChile 1 0 3   4
11º Bandeira da República DominicanaRepública Dominicana 0 1 1   2
12º Bandeira de Trinidad e TobagoTrinidad e Tobago 0 0 2   2
13º Bandeira do PeruPeru 0 0 1   1


Os resultados nos esportes individuais, como a natação, o atletismo, o ciclismo e o judô, e os desempenhos fantásticos de alguns atletas foram as razões para o Brasil brilhar nessa competição que se encerrou nesse domingo, dia 20.

Nadador da classe S-5 (Swimming five, natação cinco em inglês), Daniel Dias superou as próprias conquistas anteriores. Há quatro anos no Rio, Daniel levou para casa oito medalhas douradas. Dessa vez, colecionou 11 de ouro! Performance assustadora. Atleta com má formação congênita, Dias já se tornou um dos maiores de todos os tempos.

Outro nadador de ponta, da classe dos menos comprometidos fisicamente, a S-10, Andre Brasil conquistou seis ouros. Foi um desempenho fora do comum, pois a S-10 é aquela onde os tempos chegam perto das marcas olímpicas. Clodoaldo Silva está totalmente adaptado à S-5, onde compete há três anos. O Tubarão guardou na bagagem seis novas medalhas, duas de ouro (provas de revezamento) e quatro pratas em disputas individuais. Detalhe: Daniel Dias é da mesma classe e nove anos mais jovem. Clodo tem 32. Mais um destaque nas piscinas foi Joana Silva. Forte candidata ao Prêmio Brasil Paraolímpico, a atleta de 24 anos da classe S-5 levou quatro ouros.

Para deixar a coluna menos ufanista, desportistas de outros países também deixaram a torcida impressionada. O nadador mexicano Luis Andrade (S-8) conquistou oito (quatro ouros, três pratas e um bronze). Também na mesma modalidade, o colombiano Daniel Giraldo (S-12-deficiência visual) levou quatro ouros.

Futebol de Cinco

No Estádio Pan-americano de Hóquei, o Brasil conquistou a medalha de ouro no Futebol para cegos nos Jogos Parapan-americanos ao vencer nesse domingo os argentinos por 1 a 0, gol do craque Ricardinho. Aliás, o escrete canarinho repetiu o resultado do Parapan do Rio. Na oportunidade, o Brasil também triunfou sobre os ‘hermanos’ por 1 a 0, golaço de Bill, que acertou uma bomba no ângulo direito perto do final da partida, realizada em Deodoro na Vila Militar do Rio, mesmo local que recebeu o Mundial de Futebol de Sete (para deficientes físicos com sequelas de paralisia cerebral), em 2007.

Terezinha Guilhermina

De acordo com o site do Comitê Paraolímpico Brasileiro, o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) anunciou nesse domingo, dia 20, que a velocista Terezinha Guilhermina, da classe T-11 (cegueira total), venceu a eleição para representante dos atletas na Comissão Executiva do Comitê Paraolímpico das Américas (APC). Dona de três ouros nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, medalhista paraolímpica e recordista mundial, a atleta do Botafogo/Superar recebeu 322 votos, mais do que o dobro do segundo colocado, o jogador de Vôlei Sentado dos Estados Unidos, Charles Swearingen (155). O terceiro foi o nadador colombiano Daniel Giraldo, com 133.

Os Jogos Parapan-americanos do México foram inesquecíveis para os brasileiros. Parafraseando o personagem Ricky, interpretado por Humphrey DeForest Bogart no filme ‘Casablanca’, de 1942, sempre teremos Guadalajara. Sobem os créditos ao som de ‘As Time Goes By’.

Um abraço paraolímpico! Hasta luego, mis amigos!

Pequeno dicionário paraolímpico

Apenas para lembrar os internautas. Na natação, da classe S-1 até a S-10, competem deficientes físicos. Da S-11 a S-13, deficientes visuais. A S-14 é dedicada exclusivamente para aqueles com déficit cognitivo.

Veja mais:

Heróis

O Parapan é nosso!

Brasil é líder das Américas

Brasileiros brilham nos Jogos Parapan-Americanos de Gualajara

compartilhar no