
Na última quinta-feira o esporte me emocionou. Ao cobrir o Pan-Americano Master de esportes aquáticos, no Parque Aquático Júlio de Lamare, tive a oportunidade única de conhecer o “Seu” Enrique Aron Alianak. Um nadador argentino, de 93 anos (isso mesmo), que venceu a prova dos 200m costas em sua categoria.
Ver aquele senhor caminhando de bengala até o bloco de largada, com a vontade e determinação de um juvenil, me fez refletir. Pensei que era só eu que estava embasbacado diante daquele fenômeno, mas não. Os outros competidores e torcedores que estavam na arquibancada pareciam tão incrédulos quanto eu. Sabia que ao trabalhar em um evento master iria me deparar com um senhor aqui e uma senhora acolá, mas não com uma pessoa tão brilhante quanto aquele argentino.
Acompanhei atentamente as braçadas de Enrique e fiquei mais estupefato com seu desempenho durante o longo percurso de 200m, ainda mais no estilo costas, um tipo de nado que todo mundo tem muitas dificuldades para aprender e praticar até mesmo com prancha de isopor para ajudar. No fim, pensei em interpelá-lo, a fim de fazer uma matéria para o AHE!, mas achei prudente deixar passar um tempo até que ele se recuperasse da maratona que fizera. No entanto, não é que o “velhinho” saiu da piscina numa boa, sem sequer puxar o ar, perguntando se eu queria falar com ele naquele momento?
Sei que não estava diante de um Michael Phelps, Cesar Cielo ou Ian Thorpe, mas após a entrevista senti que havia conversado com o maior campeão olímpico de todos os tempos. Ao ver Enrique Aron Alianak, as lágrimas pela lembrança do meu recém-falecido avô até quiseram escorrer, mas optei pelo sorriso de felicidade, após uma lição de amor à vida e ao esporte que aquele senhor de bengala me ensinou.
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